Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Cheia 2014: moradores da região metropolitana de Manaus usam pontes para escapar da enchente

Sem ajuda financeira do poder público, eles improvisaram pontes estreitas sobre as ruas e construíram marombas para se locomover

No Município do Careiro da Várzea consumidores, produtores e comerciantes só chegam a feira pelas pontes de madeira

No Município do Careiro da Várzea consumidores, produtores e comerciantes só chegam a feira pelas pontes de madeira (André Zumak/Free lancer)

O avanço das águas dos rios amazônicos está afetando municípios da região metropolitana como o Careiro da Várzea (a 29 quilômetros de Manaus), onde centenas de famílias estão com as casas alagadas, algumas vivendo em marombas e outras à espera de ajuda do poder público. Na Vila do Careiro, seu Raimundo Nonato Leitão, 70, pede socorro, da mesma forma que no distrito do Cacau-Pirera, do município de Iranduba (a 34 quilômetros), Maria Cláudia de Barros Santos, cobra a presença dos políticos. “Aqui a gente só vê cobras que são ameaças às pessoas”, desabafou.

Tanto na Vila do Careiro quanto no Cacau Pirera, os moradores só contam com recursos próprios para construção de pontes nas ruas alagadas e maromba nas casas, que é a construção de um piso sobre o assoalhoo. Seu Raimundo reclama a falta de madeira e de outros materiais para a construção das marombas. “Estamos no alagado, estamos abandonados”, lamentou ele, revelando que muitos moradores estão sofrendo com doenças como diarreias, principalmente crianças, dado o estado deplorável de condições de moradia. O pior, segundo afirmou, é que não chega ninguém para ajudar. “Nem pessoal da Defesa Civil e nem da Prefeitura”, disse ele, angustiado com o mau cheio provocado pela água nas proximidades das casas, já que há presença de dejetos alimentares e sanitários por todos os lados.

Cacau Pirera

Na comunidade Nova Veneza, no Cacau-Pirera as águas já chegaram e estão por toda a área ribeirinha. Dezenas de casas são acessíveis só por meio de pontes que estão sendo construídas precariamente. Moradora da rua 9, de uma área de invasão, Maria Cláudia quer saber quando terá ajuda para construir pontes e quem sabe até maromba em casa. “Se for como ano passado, que prometeram ajuda e nunca chegou o dinheiro que o governo tinha liberado, vamos ficar na pior”, afirmou a dona de casa.

Neste ano, no entanto, a enchente está trazendo cobras, algumas venenosas, que são vistas e mortas pelos moradores. Avó de um menino de dois anos, ela se preocupa com o aparecimento desses animais que é uma coisa imprevisível. “Ontem (no sábado) vi uma cobra se mexendo próximo da porta de casa e fui cuidar para matar”, explicou.

Blog: Maiko Pinheiro, 43 - morador Cacau-Pirera

“É bem triste a nossa situaçãoaqui na comunidade Nova Veneza.Não temos apoio nenhum de políticos que só lembraram da gente no período da eleição. Agora, como já ganharam, não aparece um. Existeaté um vereador que tem casa aqui na comunidade, mas não aparece para ver a situação de abandono. Tenho deficiência física e me desloco com dificuldade e se precisar fazer maromba na casa, isso só vai complicar, mas cadê os ‘homens’ da política para ajudarem a gente? Peço que o jornal divulgue o nosso sofrimento, principalmente das crianças que vivem por aqui e tem que andar se equilibrando nessas pontes que não dão segurança, porque foram construídas com materiais que os moradores arranjaram, por isso são estreitas e inseguras. Já era tempo de não termos que pedir esse tipo de coisa durante o período da enchente”.