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Caça de animais silvestres aliada ao desmate no Amazonas

Situação foi denunciada por moradores da zona rural de Borba. Entre as espécies de animais, capivaras e antas são os principais alvos

Um macaco foi encontrado morto no meio da carga

Um macaco foi encontrado morto no meio da carga apreendida no porto da Panair (Ney Mendes)

Moradores de comunidades rurais situadas à margem dos rios Sucunduri, Acari e Canumã, na região dos municípios de Borba, Novo Aripuanã e Apuí, no Amazonas, denunciam que desde o início deste ano aumentou a caça predatória de animais silvestres na área. Os ribeirinhos acreditam que a caça vem sendo praticada por pessoas ligadas à grilagem e ao desmatamento ilegal, muitas delas vindas do estado de Mato Grosso.

Há duas semanas, ribeirinhos de uma comunidade à margem do rio Sucunduri afirmaram ao pesquisador Antônio José Fernandes, que foi ao local realizar um trabalho para a prefeitura de Borba (a 430 quilômetros de Manaus), que testemunharam mais de 300 capivaras abatidas sendo transportadas pelo rio e, em seguida, pela rodovia Transamazônica.

Antônio José conseguiu ter acesso a uma fotografia feita pelos comunitários dos animais mortos e repassou ao jornal A CRÍTICA. “O pessoal me disse que foram mais de 300 capivaras capturadas a tiro e que elas são enviadas por barco para o Mato Grosso. Os comunitários estão receosos, com medo dos grileiros. Segundo eles, essa situação começou a ocorrer em fevereiro deste ano. A intensidade está relacionada à grilagem e à retirada de madeira”, disse Fernandes.

Segundo Fernandes, a ação dos grileiros, que é mais frequente no sul do Amazonas, alcançou também a área ribeirinha de Borba, município localizado em uma região mais central do Amazonas, e tem provocado receio nas comunidades. Ele conta que aumentou também a pressão para que os ribeirinhos vendam suas terras aos grandes fazendeiros. Os que se negam, acabam expulsos.

Conforme Fernandes, comunitários relataram que viram derrubadas de floresta feita por tratores de esteira com corrente, além da caça em grande escala. “Essa é uma situação muito nova. Muitas pessoas desconhecem. A notícia da grilagem ainda nem chegou na sede de Borba. As comunidades ficam muito distantes da zona urbana”, disse ele.

O superintendente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Mário Lúcio Reis, disse desconhecer a ação de grileiros e de caça predatória na zona rural de Borba. Ele afirmou que atualmente a operação de fiscalização contra desmatamento no sul do Amazonas foi intensificada e que vai incluir, no itinerário, uma ação na região onde há registro de caça de animais silvestres. “Talvez a caça seja uma atividade paralela. Vamos investigar”, disse.

Investigação

O comandante do Policiamento Ambiental do Estado, coronel Ricardo Gomes, ao saber da situação em Borba disse que pretende fazer contatos com “os parceiros” para investigar a situação. Os parceiros são o Ibama e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). Ele admitiu que também não sabia da situação em Borba, mas garantiu que irá apurar o caso.

Ricardo Gomes disse ainda que o Policiamento Ambiental, em convênio com um projeto de “corredores ecológicos”, do Ministério do Meio Ambiente, vai instalar uma rede de comunicação em toda a calha do rio Solimões. A rede terá antenas de transmissões de informações para facilitar a ação dos policiais ambientais. O projeto, contudo, não tem data para ser implementado.

Em todo o Estado, o Batalhão Ambiental tem apenas 150 homens em atividade, sendo que a maioria está concentrada em Manaus.