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Árvore centenária é incendiada na Reserva Adolpho Ducke em suposto ritual de magia

O fogo atingiu a parte interna da planta - com quase 500 anos - e no local foram encontrados restos de comida, um abacaxi e uma vela. “Parecia de ritual de magia negra”, disse funcionário da reserva florestal. Ainda há chance da árvore sobreviver ao fogo 

Bombeiros foram chamados, mas conseguiram conter parcialmente o fogo

Bombeiros foram chamados mas conseguiram conter o fogo apenas parcialmente (Reprodução)

Uma árvore centenária que mede entre 50 a 60 metros de altura foi incendiada neste sábado (3) dentro do Jardim Botânico de Manaus, que fica na Reserva Florestal Adolpho Ducke, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte da capital. A árvore é uma angelim-pedra, com cerca de dois metros de diâmetro e quase 500 anos de idade. O fogo pegou a parte interna da planta.

Funcionários do Museu da Amazônia (Musa), que fica dentro da Adolpho Ducke, avistaram uma fumaça branca espessa vinda de dentro da floresta no início da manhã. “Fui olhar e vi que alguém tinha colocado fogo dentro de um angelim. Ela está viva mas ainda pega fogo por dentro. Não sei se vai sobreviver”, disse o subcoordenador do Musa, Rubenaldo Ferreira da Silva.

A árvore incendiada fica a cerca de um quilômetro de distância da sede administrativa do parque e o Batalhão Ambiental foi chamado. “Os moradores de perto viram, mas eles não sabiam o que fazer e com quem entrar em contato. Eu entrei lá com policiais e vimos resto de comida, um abacaxi e velas, que pareciam de ritual de magia negra”, contou Rubenaldo.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu conter parcialmente o fogo, porém as chamas ainda tomavam a parte interna da planta, que é oca e de porte grande. “Possivelmente fizeram isso de madrugada. Como ela estava pegando fogo só por dentro, não tinha muita labareda. E sem oxigênio de fora, ela vai queimando como carvão, por dentro mesmo”, disse o subcoordenador.

Os funcionários da reserva tinham medo que mais árvores fossem atingidas pelo fogo. “O risco era ela morrer, cair e pegar (fogo) no resto da floresta. Eles (bombeiros) levaram mangueira de água, mas como ela é muito grande, só conseguiram apagar a parte de baixo e não tiveram como alcançar a parte superior. Ela ainda deve estar queimando”, ressaltou Rubenaldo, no fim da tarde. “Só um especialista dirá se ela vai sobreviver”.

Angelim-pedra

A árvore incendiada, a angelim-pedra, tem o nome científico coincidentemente de Hymenolobium petraeum Ducke, que faz referência ao biólogo italiano Adolpho Ducke. A angelim-pedra é da família das Fabaceae e tem habitat em territórios de florestas altas de terra firme, em campos altos, como a Amazônia brasileira.

Sobrevivente

Conforme o engenheiro florestal Rafael Brown, como a angelim-pedra é um árvore forte e de porte grande, há chances dela sobreviver ao incêndio. Ele explica que a parte atingida pelo fogo, a parte interna, é estrutural e responsável por manter a planta e conduzir água e sais minerais para a sobrevivência dela.

De acordo com Brown, se o fogo fosse mais agressivo e atingisse a parte externa, isso poderia afetar a vida do grande vegetal. “Na parte externa (da árvore) há um tecido chamado floema, que é responsável por conduzir para outras partes carboidratos, açúcares, a nutrição que a planta precisa. Se danificar o floema, o dano pode ser maior”, disse.

Ainda segundo o engenheiro florestal, a confirmação da sobrevivência ou não da angelim-pedra após o incêndio só será possível após um estudo in loco, ou seja, feito presencialmente por especialistas. “Como (o incêndio) foi no interior da árvore, é possível que não haja dano risco do floema ser atingido, mas isso só pode ser dito com avaliação”, afirmou Brown.

Reserva

A reserva Adolpho Ducke possui 10 mil hectares (100 km²) e cerca de 10 quilômetros de cada lado de área de preservação ambiental, e é usada para pesquisas científicas e visitação de 8h às 17h de terça a domingo. Ela é um território federal administrado em parceria pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa) e pela Prefeitura de Manaus.

Apesar de não ser permitida a entrada livre de pessoas, essa proibição não é cumprida. “Não tem cercas. O limite dela é a estrada. É muito grande e impossível monitorar toda a área”, disse o subcoordenador do Musa, Rubenaldo. “É comum as pessoas entrarem porque aqui tem igarapé e eles vão tomar banho. Até caçar eles caçam, e retiram madeiras também. Mas é a primeira vez que queimam uma árvore”.

A assessoria de imprensa do Inpa soube da ocorrência de incêndio e informou que entrará em contato com a Divisão de Suporte as Reservas do órgão, que é responsável pelas reservas do Instituto de Pesquisas, como a Adolpho Ducke. É possível que uma investigação seja aberta para apurar as causas e autores do incêndio dentro da reserva.