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Árvore de 500 anos não sobrevive e tomba após ser incendiada em reserva florestal de Manaus

O fogo tomava o interior da planta e, ao redor dela, foram encontradas velas e alimentos, em suposto ritual de magia. O risco era que mais árvores fossem atingidas pelas chamas

incêndio árvore

A planta centenária media entre 50 a 60 metros de altura e dois metros de diâmetro (Reprodução)

A árvore da espécie angelim-pedra que foi incendiada na madrugada de sábado (3), dentro de uma reserva florestal de Manaus, não resistiu ao ataque e tombou no início desta manhã, após 24h de tentativas para salvá-la. Mesmo depois ter rachado e caído na floresta, as chamas ainda tomavam a superfície interna da planta e os bombeiros trabalhavam para que o fogo não atingisse mais árvores.

O incêndio ocorreu dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke (RFAD), onde também funciona o Jardim Botânico de Manaus e o Museu da Amazônia (Musa), no bairro Cidade de Deus, Zona Norte da capital. A árvore tinha aproximadamente 500 anos, media entre 50 a 60 metros de altura e dois metros de diâmetro. Ela estava a cerca de um quilômetro de distância da sede administrativa da reserva.

A estrutura da árvore foi totalmente comprometida e quase 30 mil litros de água foram usados pelo Corpo de Bombeiros no sábado e no domingo. “A nossa preocupação não é mais com essa árvore, mas com as outras do lado. Agora com ela no chão vai ser mais fácil de trabalhar. Vamos cerrá-la e colocar água dentro”, disse o subcoordenador do Musa, Rubenaldo Ferreira da Silva.


O incêndio da árvore foi considerado um crime ambiental e há suspeitas que o ato tenha ocorrido durante um ritual de magia negra por uma pessoa que invadiu a reserva. “Eu entrei lá com policiais e vimos resto de comida, um abacaxi e velas, que pareciam de ritual de magia. Não podemos afirmar isso, mas aparentemente era”, contou Rubenaldo.

A equipe de funcionários da reserva Ducke ainda não registrou boletim de ocorrência na polícia. “Isso é crime ambiental. Nosso foco é primeiro conter as chamas e amanhã iremos da delegacia ambiental (Dema)”, disse Rubenaldo. Segundo ele, fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) já foram ao local do crime e recolheram dados.

Conforme a funcionária do Musa, Antônia Barroso, após registrem boletim na delegacia, o caso será encaminhado para investigação na Polícia Federal. “Lembramos que isso é considerado um crime ambiental. E por se tratar de crime ambiental dentro de área federal, levaremos o caso para a PF”, disse Antônia.


Reprodução/Rafael Brown

De acordo com funcionários do local, é comum moradores da área adentrarem o perímetro da reserva para praticarem atividade de lazer. “É comum as pessoas entrarem porque aqui tem igarapé e eles vão tomar banho. Até caçar eles caçam, retiram madeiras. Alguns usam drogas aqui e fazem churrasco. Mas é a primeira vez que queimam uma árvore”, disse Rubenaldo.

A reserva Adolpho Ducke possui 10 mil hectares (100 km²) e cerca de 10 quilômetros de cada lado de área de preservação ambiental. O local foi criado para estudo científico e também possui visitação de 8h às 17h de terça a domingo. A reserva é um território federal administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa) em parceria com a Prefeitura de Manaus.

Segurança

A reserva florestal possui seis funcionários que trabalham na vigilância. Na sede do Inpa há dois vigilantes no turno da manhã e tarde e outros dois no turno da noite e madrugada. No local onde funciona o Museu e o Jardim Botânico há um vigilante no primeiro turno e outro no segundo. “Não tem cercas. O limite dela é a estrada. É muito grande e impossível monitorar toda a área”, disse Rubenaldo.

Angelim-pedra

A árvore incendiada, a angelim-pedra, tem o nome científico coincidentemente de Hymenolobium petraeum Ducke, que faz referência ao biólogo italiano Adolpho Ducke. A angelim-pedra é da família das Fabaceae e tem habitat em territórios de florestas altas de terra firme, em campos altos, como a Amazônia brasileira.