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Aves recapturadas indicam que filhotes retornam adultos para praia onde nasceram

Cada ave recebe um anel de metal que possui um número de identificação. Dados biométricos como peso, comprimento da cabeça, da asa e do bico são armazenados no banco de dados do Sistema Nacional de Anilhamento de Aves Silvestres (SNA)

Pesquisador realiza o monitoramento de ninhos

Pesquisador realiza o monitoramento de ninhos (Divulgação/Eunice Venturi)

O Instituto Mamirauá realizou, de agosto a novembro, a campanha de captura de aves 2013. Foram anilhadas mais de 1,4 mil aves na Reserva Mamirauá, sendo aproximadamente 800 corta-águas (rynchops niger), 620 gaivotas (phaetusa simplex) e três gaivotinhas (sternula superciliaris). Três corta-águas capturados este ano foram anilhados em 2012, dois quando ainda eram filhotes e um marcado já era adulto.  

"Com essas recapturas descobrimos que os filhotes (ao menos alguns) retornam já adultos para a mesma praia onde nasceram e também que adultos retornam para a praia em que se reproduziram no ano anterior. Com isso, podemos perceber como é importante que as comunidades continuem protegendo as praias ao longo dos anos", disse a pesquisadora Bianca Bernardon.

Em setembro, dois garotos de uma comunidade da Reserva Mamirauá encontraram duas gaivotas mortas com anilha, retiraram as duas, mas perderam uma e entregaram a outra ao Instituto Mamirauá. Essa anilha permitiu identificar o espécime capturado anteriormente, ainda filhote na Praia do Horizonte no dia 09 de outubro de 2012. A rota dessa ave pode ser vista aqui

As campanhas de captura de aves ocorreram no Rio Solimões, em duas praias do setor Horizonte, protegidas pela Comunidade Novo Horizonte; e no setor Aranapu, em uma praia protegida pela comunidade São Francisco do Boia, Rio Aranapu. Ao longo de quatro meses de atividades, foram realizadas 19 capturas noturnas, com duração de aproximadamente cinco horas e 25 dias de capturas diurnas para marcação de filhotes.

Durante as capturas, o estado de saúde das aves foi avaliado, conforme relatou Bianca: "Os corta-águas adultos estavam bem de saúde. As gaivotas (trinta-réis grandes) apresentavam maior quantidade de ectoparasitos (um tipo de piolho que se alimenta das penas). Alguns filhotes foram encontrados mortos ou debilitados, provavelmente por doenças, ou por ataque de gaivotas adultas defendendo território e outras engasgadas com o alimento trazido pelos pais".

As atividades de captura das aves adultas acontecem à noite, quando a temperatura ambiente é menor, causando menos impacto às aves. No período noturno, elas também têm dificuldades de verem as redes, que têm doze metros de comprimento por três metros de altura e são abertas verticalmente. Os animais são recolhidos assim que caem na armadilha para obtenção de dados biométricos como peso, comprimento da cabeça, da asa, do bico, entre outros. Após essa coleta de dados, os animais são soltos novamente. 

Cada ave recebe um anel de metal que possui um número de identificação. Esses dados são armazenados no banco de dados do Sistema Nacional de Anilhamento de Aves Silvestres (SNA). Quando outro pesquisador capturar essa mesma ave, em outra parte do Brasil ou da América do Sul, ele vai anotar o número e o Instituto Mamirauá poderá conhecer a rota de migração das espécies.

*Com informações da assessorio de imprensa do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá