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Cheia do Rio Amazonas isola o bairro do Jauari, em Itacoatiara

Comércios e residências estão fechados desde o início do mês passado, quando a enchente dificultou o acesso à região; nível das águas já igualou a marca de 2012, a maior do município até então

Bairro do Jauari está completamente tomado pelas águas

Bairro do Jauari está completamente tomado pelas águas (Clóvis Miranda)

O município de Itacoatiara (a 176 km de Manaus) sofre com a cheia do rio Amazonas desde o início de maio, o que forçou muitos moradores a abandonarem suas casas, além de provocar o fechamento de comércios e empresas. Uma das situações mais graves pode ser vista no bairro do Jauari, próximo à margem esquerda do rio. Ali, residentes se queixam da situação de abandono e isolamento em que se encontra a área, completamente tomada pelas águas.

A comerciante Vilci Farias, de 60 anos, é uma dessas moradoras. Há 26 anos no bairro, ela afirma que nunca viu uma cheia tão desastrosa quanto a de 2014. “A gente nunca sofreu com as alagações como tem sido de uns anos pra cá. Em 2010 inundou, 2011 passou raspando, 2012 e 2013 foram coisas assustadoras, e agora esse ano, que tá sendo o pior de todos”, queixa-se. Vilci vem tentando manter o pequeno comércio funcionando, mas as pessoas de outras partes da cidade não conseguem chegar ao Jauari, por causa da inundação.

“Antes, vinha muita gente, até pessoas de outras cidades passavam por aqui e vinham na minha loja, mas com a cheia só uns poucos, do próprio Jauari, se arriscam por essas bandas. O pior é que boa parte dos produtos tá ficando mofada, por causa dessa mistura de calor e umidade”, desabafa a vendedora.

 
Distribuidora usa páletes para transportar produtos (Clóvis Miranda)

Já a secretária Deleuce Caldas, de 42 anos, vem fazendo um esforço, junto com outros funcionários, para manter a empresa de distribuição onde trabalha funcionando. “A gente tem improvisado uns páletes (pequenos estrados de madeira, usados para transporte de cargas) pra movimentar a mercadoria, mas, às vezes, ela molha e acaba estragada”. Moradora da região central do município, ela vê a situação do Jauari, por onde chega usando pontes improvisadas, como preocupante. “Foi um dos bairros mais atingidos esse ano. Quase todas as empresas, estabelecimentos, tá tudo fechado por lá (sic)”.

Ela reclama da falta de ação do governo e da própria população na cheia. “Muita gente joga porcaria no rio, aí a água acaba subindo mais do que o normal e fica parecendo um lixão, só de coisas que as pessoas jogam. A gente também tá abandonado, falta ajuda pras pessoas se manterem enquanto as coisas tão desse jeito. É muito ruim mesmo”, reclama.

O Jauari é um dos bairros mais antigos de Itacoatiara. Originalmente uma colônia de agricultores, muitos deles japoneses, a região sempre lidou com enchentes, usando pontes e palafitas. A situação deste ano, porém, foi afetada pela chuva atípica na foz do rio Amazonas, na Bolívia. Segunda a Defesa Civil do Estado, o nível das águas igualou, neste domingo (1º), a marca histórica de 2012, a pior cheia do município até então.