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Governo do Amazonas lança campanha para proteção do Sauim de Coleira de Manaus

O objetivo da campanha educativa, coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), é sensibilizar a sociedade quanto à importância da preservação desses animais

Sauim-de-coleira é o animal mais ameaçado da Amazônia

Sauim de Coleira é o animal mais ameaçado da Amazônia (Márcio Silva)

O Sauim de Coleira (Saguinus bicolor) é o tema do mês de agosto para campanha educativa de proteção aos animais em risco ou ameaça de extinção do Governo do Amazonas, coordenada pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS). O objetivo da campanha é sensibilizar a sociedade quanto à importância da preservação desses animais, mas para representantes de entidades de defesa do Sauim de Coleira, a falta de sensibilidade é dos gestores municipais e estaduais.

O Sauim de Coleira é encontrado nos remanescentes florestais de Manaus. Por conta do crescimento da cidade, nos últimos anos, houve uma diminuição dessas áreas, o que tem afetado as populações do único representante da família Callitrichidae (que compreende micos, sagüis e sauins).

A bióloga Erika Schloemp, coordenadora da fan Page no facebook “SOS Fragmentos e Sauim-de-Coleira de Manaus” criada em julho deste ano, afirma que não vê a ação de distribuir folders e pregar pôster pela capital com a imagem do sauim como sendo uma campanha. “Pra mim, campanha tem investimentos e parcerias com grupos que estão à par do assunto, como, por exemplo, o Plano de Ação Nacional (PAN) Sauim de Coleira, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), entre outros”, defendeu.

Descaso

De acordo com Erika, somente o PAN Sauim já apresentou sete metas para salvar o Sauim de Coleira para a SDS e outros órgãos, mas não obteve retorno. Um das sugestões é a inserção de, pelo menos, 30% da área de distribuição de Saguinus bicolor em unidades de conservação com gestão adequada à conservação da espécie, sendo ao menos 15% em Unidades de Conservação de proteção integral, e manutenção dos remanescentes florestais relevantes (CIGS/Exército e Reserva Ducke/INPA), até 2016.

“Desde que cheguei à Manaus há 15 anos vejo os governantes falando e usando a imagem dos sauins para campanhas meramente publicitárias. O pôster da SDS mostra a inércia destes órgãos. Os sauins precisam de espaço. Existem, claro, parcerias do poder público com as entidades de defesa, mas não há uma participação ativa. Não há efetividade imediata”, evidenciou a bióloga.

Erika defende como uma das principais metas o aumento da conectividade dos fragmentos na cidade, além da criação de parques e corredores de floresta. “Isso a cidade não está fazendo. E quem não precisa de parques e áreas verdes? Só estamos vendo re-inaugurações de parques antigos e áreas verdes, não está havendo compensação ambiental efetiva”.

Expansão urbana preocupa

O ecólogo Wilson Roberto Spironello, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia (SBPr) e coordenador de biodiversidade do INPA, explica que campanhas nestes moldes, onde a sociedade pode denunciar são mitigadoras (amenizadoras), mas o grande problema é o avanço da ocupação humana. “E que por trás tem muito haver com as liberações de grandes obras pelo município e pelo estado, envolvendo também os órgãos ambientais, sem considerar uma espécie criticamente em perigo de desaparecer”, taxou.

Para Spironello, o grande questão é que a área para o Sauim de Coleira está a cada dia mais restrita, relativamente em termos de primatas amazônicos. “Que é essa extensão de Manaus, Rio Preto da Eva, Itacoatiara, essa é a área exata que você vê uma grande extensão urbana. Pois essa expansão vem carregada de construções de condomínios, indústrias, essas campanhas são agregações de coisas, mas o grande problema é a destruição das matas. A atuação do estado e do município é no licenciamento dessas obras, onde acabam deixando de lado a questão ambiental”, definiu.

Ele concluiu alertando que o estado e o município são pouco efetivos na conservação do meio ambiente em que eles vivem.