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Instrumentos sustentáveis dão os tons da Amazônia

Ateliê inaugura exposição de instrumentos produzidos pela Oficina Escola de Lutheria da Amazônia - Oela, nesta quinta-feira

Todas as peças da Oela exibem selo de certificação ambiental

Todas as peças da Oela exibem selo de certificação ambiental (Juca Queiroz)

Conhecida no Brasil e no resto do mundo pela confecção de instrumentos musicais a partir de madeiras regionais, a Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (Oela) inaugura um showroom para exibir as criações de seu ateliê no Dia Mundial do Meio Ambiente, nesta quinta-feira, às 9h. O evento terá a participação de músicos locais, personalidades e parceiros da iniciativa.

Localizada no 1º Distrito Industrial de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte do Amazonas (Avenida do Turismo, Tarumã, em frente à sede da Aseel), a sala de exposição terá vários modelos hoje produzidos pelo Atelier Oela. Entre eles, cavaquinhos, bandolins, violões – clássico, acústico, eletroacústico, Flat, Frame, Cutaway –, além de peças como o Cuatro Venezuelano e o Três Cubano.

As peças têm preços a partir de R$ 1.200 e são produzidas por uma equipe de sete luthiers. A perspectiva é de que esse número aumente para até 15  trabalhadores ainda este ano.

Maior acesso

Com a abertura do showroom, a Oela busca ampliar o acesso do público em geral – dos estudantes de música até os músicos profissionais que vêm do resto do Brasil e de outros países para conhecer e adquirir os instrumentos musicais únicos produzidos pelo ateliê amazonense.

“Há muito tempo nossos instrumentos vão para ambientalistas de todo o mundo. Agora nossa intenção é que eles sejam tocados por músicos daqui e de outros lugares”, afirma Rubens Gomes, fundador da Oela. “Queremos dar acesso a um estudante de baixa renda, que precisa de um instrumento para sua formação, e também para os músicos”.

Divulgando espécies

Outro objetivo do showroom é difundir a utilização de espécies da flora amazônica na confecção de instrumentos musicais, em vez de madeiras tradicionais. “Hoje produzimos instrumentos de alta qualidade com madeiras da Amazônia”, declara Gomes, destacando que todos os produtos da Oela utilizam matéria-prima manejada e trazem o selo do FSC (Conselho de Manejo Florestal, entidade internacional que certifica a origem de produtos florestais). “As madeiras que utilizamos não vêm da degradação da floresta, nem de trabalho escravo ou infantil”, acrescenta.

Embora seja vista com reserva por alguns instrumentistas e músicos, a substituição das espécies tradicionais – muitas em risco de extinção – por outras amazônicas é geralmente bem aceita, segundo Gomes. “São instrumentos muito especiais. A madeira da Amazônia tem um timbre diferente, e as peças são muito bem feitas pelos jovens, que são de um talento excepcional”, declara o ambientalista.

Agregando valor

As principais madeiras utilizadas nos instrumentos da Oela são o tauari vermelho, o breu branco, o marupá e o coração de negro, todas encontradas na região amazônica. Elas substituem espécies como jacarandá, mogno, cedro, ébano e pinho, tradicionalmente usadas na fabricação dos instrumentos.

Além de diminuir a pressão sobre as espécies tradicionais, a demonstração de que as madeiras da Amazônia podem ser utilizadas como matéria-prima para instrumentos musicais pode aumentar o valor da floresta. “Com isso é possível agregar valor à região, o que aumenta também a riqueza do País”, destaca.

O showroom do Atelier Oela vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com pausa para almoço. Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (92) 3644-5459 e 3638-2667, pelo email oela@oela.org.br ou pelo site www.oela.org.br.

Pesquisa de madeiras

Rubens Gomes pesquisa há 25 anos o uso de madeiras regionais na confecção de instrumentos musicais. Graças a esse trabalho, espécies como o breu branco ou marupá, com pouco ou nenhum uso comercial, substituem variedades tradicionais hoje restritas ou raras por conta da ameaça de extinção, como jacarandá, cedro e mogno.

“Hoje temos um lote de espécies que podemos utilizar na lutheria dedilhada”, afirma Gomes, destacando que as madeiras regionais passaram por testes físico-mecânicos e acústicos diversos.

A Oela planeja ampliar o catálogo de espécies utilizadas, em parceria com o Instituto de Pesquisas da Amazônia. Também começa a investigar o papel de fungos na melhoria das qualidades acústicas da madeira. A hipótese se baseia em observação própria e em descobertas recentes que mostram que os organismos poderiam produzir a sonoridade dos famosos violinos Stradivarius.