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Cheia do rio Negro este ano atingirá média de 28,94 metros, aponta previsão do Inpa

A cheia não será uma das maiores, mas poderá provocar expressivos impactos em bairros situados na orla do rio Negro, como Educandos, São Raimundo e Glória

 A cheia não será uma das maiores, mas poderá provocar expressivos impactos

A cheia não será uma das maiores, mas poderá provocar expressivos impactos (Eduardo Gomes/ Arquivo INPA)

A cheia do rio Negro neste ano será “bem acentuada” com previsão média de 28,94 metros no Porto de Manaus e áreas próximas, mas não será capaz de causar inundações na área central de Manaus. A informação é do pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTI), Jochen Schongart, que desenvolveu um novo modelo matemático de previsão das cheias do rio Negro.

Conforme a previsão, o modelo tem uma margem de erro de 30 centímetros para menos ou para mais, podendo atingir entre 28,64 metros e 29,24 metros. O evento está previsto para acontecer na segunda quinzena de junho, período de realização da Copa do Mundo de Futebol. Em 2013, a cheia do rio Negro atingiu 29,33 m e em 2012 subiu até 29,97 m, quando foi registrado o recorde da cheia desde que o rio passou a ser monitorado no Porto de Manaus em 1903. Na maior cheia, cerca de 20 bairros de Manaus foram atingidos.

Segundo o pesquisador, a cheia de 2014 não será uma das maiores, porém poderá provocar expressivos impactos em bairros situados na orla do rio Negro como Educandos, São Raimundo e Glória (zona Sul da cidade).

Para Jochen Schongart, este modelo é uma ferramenta importante para se fazer previsões e evitar possíveis desastres com antecedência de três meses do pico da enchente, permitindo que autoridades tomem providências em casos de cheias severas, tanto na zona urbana quanto na zona rural do Estado. “O caboclo, por exemplo, precisa ver onde ele vai colocar seu gado, se faz maromba ou se transfere da área alagada para terra firme a fim de diminuir os prejuízos”, explica o pesquisador.   

Desde 2005, o modelo de previsão das cheias é aperfeiçoado pelo pesquisador, utilizando dados do nível do rio Negro no Porto de Manaus, disponibilizados pela Sociedade Nacional de Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH) e pelo Índice da Oscilação Sul (SOI, sigla em inglês), baseado em um modelo publicado na Revista Journal of Hydrology (2007). A partir de 2012, o pesquisador adotou uma nova metodologia que integra mais parâmetros independentes para fazer uma nova modelagem e mais “robusta estatisticamente”.

O pesquisador explica que os estudos para a previsão de cheia para este ano baseiam-se em dados do nível atual e do nível mínimo do rio Negro do ano passado agregados aos dados do Pacífico Equatorial em forma de anomalias de temperatura superficiais da região El Niño 3.4 (localizada na parte central do Oceano Pacífico Equatorial), juntamente com os índices meteorológicos do SOI. “Geralmente eventos de El Niño causam cheias mais fracas e fenômenos La Niña resultam em cheias mais severas. Sendo que este ano, porém, o Pacífico Equatorial encontra-se em condições neutras não sofrendo a interferência do El Niño e nem do La Niña”, explica o pesquisador.

A nova modelagem de previsão de cheias utiliza uma série temporal longa de dados disponíveis a partir de 1950 até 1989, que foram utilizados para fazer a calibração do modelo, e dados de 1990 até os dias de hoje para fazer a validação e testar se realmente o modelo é capaz de fazer previsões de cheias com antecedência de mais de três meses e com uma baixa margem de erro. Com isso, o pesquisador conseguiu uma redução da média de erro de 38 cm do primeiro modelo (2005) para 30 cm no novo modelo (2012).

Segundo o pesquisador do Inpa, outro fator que contribui para estas variações de níveis de cheias são o aumento de temperaturas superficiais do Atlântico Tropical e a Oscilação Decadal do Pacífico (PDO, sigla em inglês) - uma espécie de memória de longo prazo dessas oscilações de El Niño-, que têm fases quentes e frias (que duram de 20 a 30 anos, em média). Jochen explica que na fase fria a tendência é ter cheias mais severas, enquanto nas fases quentes a tendência é ter cheias mais fracas. “Ultimamente estamos entrando numa fase fria e isso pode ser um dos fatores que pode estar agindo nessa hidrologia complexa do rio Amazonas e seus afluentes, o que poderá contribuir fortemente para acontecer uma cheia bem mais acentuada neste ano”, ressalta o pesquisador.

 Conforme Jochen, nos últimos 25 anos houve uma tendência de aumento de cheias e uma diminuição de seca, ou seja, os extremos com a tendência de serem mais severos, o que é previsto pelos modelos climáticos globais aplicados no Painel Intergovernamental de Mudança Climática 2013 (IPCC, sigla em inglês).  Segundo ele, é difícil afirmar com estas tendências recentemente observadas se essas alterações no ambiente são manifestações climáticas causadas pelos seres humanos ou se podem ser explicadas pela variabilidade natural do regime hidrológico. 

*Com informações da assessoria de comunicação do INPA.