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Dia Mundial da Água: nascentes de Manaus são impróprias

Especialista em recursos hídricos afirma que águas de nascentes urbanas e orla do rio em Manaus estão contaminadas

População utiliza água das nascentes acreditando ser limpa, mas segundo pesquisador, a fonte está contaminada

População utiliza água das nascentes acreditando ser limpa, mas segundo pesquisador, a fonte está contaminada (Antonio Lima)

Em uma das principais ruas do bairro Praça 14 de Janeiro, a Nhamundá, na Zona Centro-Sul da cidade, ainda jorra água de duas nascentes do Igarapé de Manaus, no Beco Apurinã. O local fica aos fundos da casa do padeiro Ronaldo Carvalho, 24, que utiliza a água para diversos fins por considerá-la limpa. Em outras ruas do mesmo bairro, a Nhamundá e a Barcelos, diversos olhos d’água ainda existem e alguns são usados pelos moradores. Mas na avaliação do professor doutor Sérgio Bringel, especialista em recursos hídricos, essas águas são contaminadas e põem em risco a saúde dessas pessoas.

Bringel alerta ainda que as águas do Rio Negro, nas imediações da cidade de Manaus, também não são mais próprias para consumo e nem banhos, diante das águas poluídas de emissários como o Igarapé de Educandos, na Zona Sul da cidade.

Um dos conferencistas do Seminário “Água, Saneamento e Energia”, realizado pela Secretaria de Estado de Mineração Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas (Semgrh), por conta do Dia Mundial da Água, comemorado ontem, o professor doutor até brincou dizendo ter 110% de certeza de que essas águas das nascentes, cujas áreas estão ocupadas, são impróprias para o consumo.

Na conferência sobre o tema "Caracterização Ambiental da Bacia do Rio Uatumã para aproveitamento energético", ele mostrou os erros da construção da Hidrelétrica de Balbina no Uatumã, que além de causar graves danos ao meio ambiente, não fornece a energia projetada inicialmente.

Desprezo

O que o cientista chama de desprezo pelos rios e igarapés já esta levando o manauense a pagar um preço alto, que será maior ainda por conta do volume de efluentes domésticos e industriais despejados no Rio Negro sem qualquer tratamento pelos seus emissários, que são os igarapés. “Através do emissário de Educandos, que joga muitos efluentes no rio Negro, este já está poluído em toda a orla da cidade”, disse o pesquisador, citando como exemplo o Amarelinho, no bairro de Educandos, Zona Sul, cuja água não presta mais.

O pesquisador assegura não haver a possibilidade do Planeta Terra ficar sem água, mas haverá alterações locais que vão mexer com a vida de muitos povos. “A água é um ciclo fechado e não vai desaparecer, mas será cada vez mais caro o tratamento para garantir o seu consumo”, explicou Bringel, lamentando faltar educação e conscientização a respeito do tema.

Sobre as nascentes dos igarapés, o professor doutor sugere a proteção da área, com a retirada de todas as casas e a redução de todas as fontes poluidoras. O salvamento do igarapé é possível, acredita ele, mas não será tarefa para pouco tempo e nem de um só governo, seja de qual esfera for.

É preciso preservar e conservar

 O fortalecimento dos dois comitês de bacias hidrográficas é a alternativa que vem indicada pela Agência Nacional de Águas (ANA) e que está sendo seguido pelo Amazonas na questão das nascentes. Segundo o titular da Secretaria Estadual de Mineração e Recursos Hídricos (Semrh), Daniel Nava, foram criados os comitês para as nascentes do Tarumã-Açu e Puraquequara e assim resguardar toda a carga do reservatório dos rios que são contribuintes do Rio Negro.

Para o aquífero Alter do Chão, situado entre os estados do Amazonas e Pará, que é o maior do mundo em volume d’água, há um projeto do Governo Federal de apoio e preservação das nascentes que também vem sendo acompanhado e discutido pela ANA. O que dificulta uma ação imediata, segundo Nava, é a necessidade de retirada das famílias, por conta dos investimentos necessários a serem feitos.

Herança familiar

No Beco Barcelos, na Praça 14, moradores como seu Roberto da Silva, 61, mantém uma cacimba, cuja água é usada para lavar roupa, tomar banho e outros usos. Há mais de 40 anos morando no lugar, ele contabiliza que a fonte de água existe há mais de seis décadas, pois vem de herança familiar. A Secretaria de Recursos Hídricos tem buscado desenvolver projetos que possam ser apoiados pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para cuidar dessas áreas onde estão localizadas as nascentes na área urbana, de modo a protegê-las.