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Sauim-de-Manaus segue no topo da lista de animais em extinção

Criar ligações entre os fragmentos florestais pode garantir a manutenção da espécie mais ameaçada de extinção

Sauim-de Manaus segue no topo da lista de animais em extinção

Sauim-de Manaus segue no topo da lista de animais em extinção (Márcio Silva)

O crescimento desordenado da cidade de Manaus tem afetado gravemente as populações de primatas da espécie Sauim-de Manaus, que segue no topo da lista de animais em extinção. A construção de grandes empreendimentos e avenidas tem feito com que os fragmentos florestais se tornem menores e os animais busquem alternativas de sobrevivência.

Segundo o professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Marcelo Gordo, o atropelamento é uma das principais causas de morte dentro e entre fragmentos florestais na cidade e nas estradas, depois do desmatamento. Somente na estrada da Ufam, morrem em média dez sauins atropelados por ano.

De acordo com o professor, na capital há mais de 50 fragmentos florestais que abrigam o Sauim-de-Manaus, mas a maioria tem populações muito pequenas e instáveis, com grandes riscos de extinção local. Mesmo os fragmentos maiores, como a Ufam, não têm mais do que 140 exemplares, garante ele. Já os fragmentos menores, como o Parque do Mindu e o Parque Sumaúma, têm entre dez e 18 exemplares, enquanto outros possuem uma população ainda menor da espécie.

Alerta

Para o professor, como forma de tentar diminuir os impactos do homem sobre a população de Sauim-de Manaus, é necessário evitar os atropelamentos desses animais, diminuindo o desmatamento e a degradação ambiental, implantando redutores de velocidade nas avenidas de grande movimento e construindo passarelas para a fauna, refazendo a conexão entre os fragmentos florestais urbanos.

Na avenida das Torres, Zona Norte, foram instaladas placas de sinalização para os motoristas saberem que o local é passagem dos sauins. Apesar do alerta, o local não conta com passarelas para a fauna, e a travessia dos animais é arriscada.

A professora Neide Aparecida de Almeida, que mora na avenida, conta que já presenciou atropelamento dos macacos e que os motoristas, na maioria dos casos, não sabem que o local é passagem dos animais. “Eu espero que, depois da colocação das placas, os motoristas reduzam a velocidade e prestem mais atenção, afinal, somos nós que invadimos o espaço dos animais”, disse professora.

Monitorados

A gerente de fauna do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), Sonia Canto, explica que o órgão tem feito o acompanhamento das populações de Sauim na avenida das Flores, que está sendo construída. No local, há cerca de 12 animais que estão sendo monitorados. “A população também está recebendo orientação para que não ofereça comida para esses animais, que se acostumam e acabam se aproximando e sendo atropelados”, disse Sonia.

Proposta

Segundo a gerente de fauna do Ipaam, Sonia Canto, há uma discussão no Ministério Público Federal (MPF) para fazer a interligação dos fragmentos florestais existentes de forma a possibilitar a passagem desses animais em segurança. Um grupo formado por vários órgãos estuda a melhor alternativa.

Em números

10 é o número de Sauins atropelados, anualmente, na estrada da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Segundo a gerente de fauna do Ipaam, Sonia Canto, devido às características da espécie, a transferência desses animais para outros locais está descartada já que eles dificilmente conseguirão se adaptar

Estratégia

As placas de sinalização de fauna implantadas na avenida Governador José Lindoso fazem parte de uma estratégia de conservação e proteção da fauna, com ênfase no Sauim-de-Manaus. Elas foram produzidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e a confecção foi possibilitada por meio de uma parceria com a Manauscult. Expansão Inicialmente, foram instaladas na Área de Proteção Ambiental (APA) Tarumã-Ponta Negra, devido ao grande fluxo de circulação no período da Copa, mas a ideia é estender a implantação para outras áreas com passagem de fauna, como a APA Ufam/Acariquara e o Corredor Ecológico do Mindu.