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Educação ambiental na escola transforma realidade de ribeirinhos do interior do AM

Provas de que a educação aliada à preservação do meio ambiente pode transformar não apenas o lugar onde se vive, mas também a vida de muita gente é o que se pode ver às margens do rio Mariepaua, na RDS do Juma

A escola atende 82 alunos de dez comunidades da zona rural de Novo Aripuanã

A escola atende 82 alunos de dez comunidades da zona rural de Novo Aripuanã (Bruno Kelly)

Do meio da floresta, às margens do rio Mariepaua, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Juma, interior do Amazonas, vem um exemplo de como a educação aliada à preservação do meio ambiente pode transformar não apenas o lugar onde se vive, mas também a vida de muita gente. Como o do estudante Glemerson Brazão Correia, de 16 anos, que está aprendendo na sala de aula o sinônimo da palavra sustentabilidade.

E esse aprendizado vai muito além das definições do dicionário. Nascido em Manaus, mas morador de uma comunidade ribeirinha na zona rural do Município de Novo Aripuanã, é na escola que ele está aprendendo a importância de preservar o meio ambiente, seja para quem vive na cidade ou na floresta.

E é lá, também, que ele encontra inspiração para se dedicar aos estudos e difundir todo o conhecimento que recebe na sala de aula. Isso, por sinal, ele vem fazendo muito bem. Glemerson foi um dos três estudantes brasileiros selecionados pelo concurso Escrevendo o Futuro, promovido pela TerraCycle Brasil, do qual participaram centenas de alunos de 18 Estados brasileiros.

O concurso, realizado em 2012, reuniu redações sobre o consumo consciente, sustentabilidade e reciclagem de resíduos sólidos, tema do texto escrito por ele. Dois anos depois, ele garante que continua ensinando o que aprendeu. “Na minha redação falei sobre a importância de reduzir o uso, separar e reciclar os resíduos sólidos, não importa onde a gente mora. O lixo polui, seja na cidade ou na floresta. O que contei na redação foi o que aprendemos aqui todos os dias”, contou.

E ele não é o único. Outros 80 alunos da escola municipal Victor Civita, localizada dentro do Núcleo de Conservação e Sustentabilidade (NCS) da comunidade Abelha, construído pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) aprendem, na sala de aula, a importância de preservar para perpetuar, como conta o gestor da escola, José Rui Nunes Lemos. “A nossa proposta é dar a esses alunos um ensino diferenciado, pois eles vivem numa realidade diferenciada, dentro de uma reserva, no meio da floresta. Aqui eles aprendem, além das disciplinas tradicionais, atividades fundamentais para a vida ribeirinha, como a agricultura, que eles disseminam em casa”, relatou.

Grade

Um dos diferenciais da escola está na grade curricular. A disciplina Educação Ambiental foi incluída e aprovada pelos alunos. Nela, eles aprendem sobre a região e os efeitos da poluição ambiental e das mudanças climáticas. “É uma agenda fundamental não só para eles, que vivem na floresta e dependem dela, mas para todos, inclusive os alunos das cidades. Até porque o que fazemos reflete no mundo todo, não importa quanto tempo leve. Aqui, já plantamos uma semente”, declarou o gestor.

Adaptada para a vida na seca

Na escola municipal Victor Civita, o calendário escolar é definido de acordo com o movimento de subida e descida dos rios. Localizada às margens do rio Mariepaua, a escola fica fechada durante o auge da seca, quando os cursos d’água secam e até em pequenas embarcações fica difícil navegar.

Por conta desse isolamento imposto pela vazante nos meses de agosto a novembro, os 82 alunos de 6° a 9° ano estudam em período integral, em regime de semi-internato, com alternâncias de 15 em 15 dias, explicou o gestor da unidade, José Rui Nunes Lemos.

“Como passamos quase metade do ano isolados, precisamos adaptar o calendário para dar todo o conteúdo letivo no ano. Dividimos as turmas em dois grupos, que se alternam de 15 em 15 dias. Eles passam 15 dias morando na escola, estudando em período integral, e depois 15 dias em casa”, explicou.

A experiência deu tão certo que o rendimento escolar melhorou e o envolvimento dos alunos nas atividades escolares, a exemplo da coleta seletiva de resíduos, como pilhas. Tem até quem não queira mais voltar para casa, caso de Glemerson Correia, 16. “Eu queria morar aqui, mas o professor não deixa”, brincou.