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Vazante lenta prolonga sofrimento dos flagelados da enchente em Manaus

Moradores de locais afetados pela cheia do rio Negro de 2014, já considerada uma das mais demoradas, sofrem com a alagação das ruas e de suas casas

Sebastiana Almeida mostra o quarto em que é preciso colocar tábuas para poder circular sem molhar os pés

Sebastiana Almeida mostra o quarto em que é preciso colocar tábuas para poder circular sem molhar os pés (Evandro Seixas)

Julho está na metade e muitos pontos de Manaus continuam alagados pela cheia do rio Negro. Ao contrário dos anos anteriores, quando o nível da água estava mais baixo neste período, a vazante ainda está lenta e moradores dos locais afetados sofrem com a alagação das ruas e todos os problemas que ela acarreta.

Na Manaus Moderna, a rua dos Barés está alagada e, por causa disso, o comércio e o trânsito nos arredores continuam prejudicados. Além da impossibilidade do tráfego de veículos e da dificuldade de locomoção a pé, que precisa ser feita por uma ponte de madeira improvisada pela prefeitura, o mau cheiro e a sujeira acumulada afasta clientes e incomoda os comerciantes do local.

Desde que a cheia começou a afetar a área, A CRÍTICA passou por lá várias vezes e noticiou o impacto que estes problemas estão acarretando no faturamento das lojas. Um dos casos mais chocantes é o do comércio Pague e Pegue, que faturava uma média de R$ 2 mil por dia e passou a registrar R$ 100 após a alagação. Como consequência, quatro funcionários foram demitidos da mercearia e o estoque foi reduzido a um nível mínimo.


Em situação mais desconfortável dos que enfrentam estes problemas no ambiente de trabalho estão aqueles que enfrentam isso nas residências. No beco Itaporanga, localizado no bairro São Jorge, a situação está pior que no Centro. Além do nível da água estar mais elevado, a sujeira também é maior.

E é no meio da água turva e cheia de lixo que dorme a família Almeida de Souza. A matriarca Sebastiana, 48, mostra os quartos alugados em que ela, os filhos e os netos dormem todos os dias. “Precisamos usar uns pedaços de madeira para conseguir chegar na cama. É muito desagradável. Fora isso, quando a água secar, vamos ter que trocar todos os móveis, porque estão condenados depois de tanto tempo em contato com a água”, desabafa.

De acordo com a filha, Francisca, 32, uma parte do lixo que rodeia a casa é jogado pelos próprios familiares. “É muito difícil tirar o lixo daqui. A gente precisa colocar num saco e levar muito longe, porque não tem lixeira perto, preferimos jogar aqui (na água) e empurrar com pedaço de madeira. Mas ele acaba voltando”, conta.

Porém, a situação que mais incomoda a família é a alagação do banheiro. Com o cômodo cheio de água, eles precisam fazer as necessidades em sacolas plásticas e pequenos recipientes. Tudo é jogado na própria água depois e empurrado com um pedaço de madeira para longe. “A gente faz e depois damos um jeito de nos livrar do que é feito. É a coisa mais chata que veio com a cheia, sem sombra de dúvidas”, reclama o filho de Francisca, Claudemir, de 11 anos. Mesmo jogando, os riscos de doenças não são afastados da família inteira.

Livre da água, mas não do cheiro

A casa do vizinho de Sebastiana Almeida não chegou a ser invadida pela água, por ser mais alta, mas a água que a rodeia está incomodando os residentes. De acordo com Shirleno César, 37, o cheiro e os mosquitos são os piores problemas. “Minha família mora aqui há 45 anos e nunca a água chegou a entrar, mesmo nas cheias mais difíceis. Ela foi projetada para contornar este problema. Mas, mesmo sem entrar, ela incomoda. Geralmente já estava bem mais baixo neste período, esta cheia está demorando muito para secar. É um ano atípico”, comenta.

Ele estima que a água deva começar a baixar apenas em meados do mês de agosto.