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Municípios do Amazonas não estão preparados para cheia rigorosa

A situação do interior do Estado não é diferente da vista no primeiro semestre de 2013: mesmo com treinamentos, cidades continuam despreparada.  Enquanto isso, calhas de dois importantes rios amazônicos bem acima do pico da vazante preocupam defesa civil

Prevenidas, a Defesa Civil de Manaus, Benjamim Constant e Tabatinga dão o exemplo ao começarem a construir pontes e marombas antes do pico da enchente

Prevenidas, a Defesa Civil de Manaus, Benjamim Constant e Tabatinga dão o exemplo ao começarem a construir pontes e marombas antes do pico da enchente (Euzivaldo Queiroz)

O novo período da cheia começou e, embora anualmente exista a possibilidade de uma grande subida dos rios, metade dos municípios do Estado continua despreparada para enfrentar outra situação de emergência. O cenário de despreparo de algumas cidades do Amazonas pouco mudou desde que A CRITICA mostrou, em março deste ano, a falta de conhecimento técnico, equipe de suporte, entre outras deficiências identificados pelo Subcomando de Ações de Defesa Civil do Estado (Subcomadec), nas prefeituras municipais.

Nos últimos quatro anos, o Estado teve as duas maiores enchentes (2009 e 2012) no período de 110 anos de monitoramento dos rios.

De acordo com o Subcomadec, parte dos municípios sequer têm Defesa Civil Municipal, sendo que a primeira resposta nos caso de emergência é responsabilidade das prefeituras. No início do ano, o Subcomadec realizou uma formação de técnicos, em Manaus, para orientar os municípios sobre como lidar com o período de cheia e mostrar quando e como devem pedir ajuda dos Governos Estadual e Federal. Porém, na ocasião 42 enviaram representantes e outros 20 não se manifestaram.

Mesmo com os rios subindo a cada dia no início da cheia, este mês, os municípios desconhecem os procedimentos para disponibilizar ajuda e os mecanismos necessários para pedir recursos. A falta de preparo resultará em uma série de dificuldade aos municípios que não se adequaram, segundo o Subcomadec. A mais importante é que ficarão impedidos de receber ajuda financeira do Governo Federal caso decretem situação de emergência.

O despreparo ocorre porque na última eleição quase 100% dos técnicos treinados pelo Subcomadec para situações de emergência como a cheia foram dispensados na renovação de servidores realizada pelos prefeitos. As novas pessoas colocadas nos cargos não passaram pelo treinamento.

Em contrapartida, Manaus, Benjamin Constant e Tabatinga foram os municípios que anteciparam as medidas preventivas para evitar maiores danos na cheia deste ano. Eles sinalizam preparação semelhante para este ano. Antes mesmo do pico da cheia, os três começaram a construir pontes e marombas, piso elevado de madeira feito em casas alagadas, prevendo uma grande cheia.

Madeira e Solimões em alta

O nível dos rios Juruá e  Purus, as primeiras calhas a sentirem o impacto do período de enchente, estão subindo em um ritmo considerado normal para o período, mas técnicos da Defesa Civil alertam que em ambas o nível está mais de dois metros acima do pico da vazante, um indicador que deixa o sinal de alerta ligado.

 
Os municípios dessas calhas sofrem logo os efeitos da enchente porque as chuvas do período se deslocam do Noroeste do Estado para Nordeste, além dos dois rios serem abastecidos pelo sistema formado pelo degelo das montanhas da Cordilheira dos Andes.

A calha do  rio Madeira também está com nível elevado  para esta época do ano. No município de Boca do Acre, ele  subiu dois metros após o início da cheia, o que para o titular do Subcomadec,  Roberto Rocha, é muito alto e também deixa o sinal de alerta ligado dentro dos órgãos de Defesa Civil.

Segundo Rocha, o rio Solimões  começa a preocupar os técnicos da Defesa Civil. Ele explicou que o início da cheia este mês está semelhante a 2008. Naquele ano choveu bastante em setembro, mês na qual costuma ocorrer às maiores secas. Em setembro deste ano, choveu quase 300 milímetros sendo que estava previsto no máximo 210.

“Os mananciais todos estão cheios. Careiro, Coari e Boca do Acre que ficam com grande faixa de praia em função da vazante este ano ficaram com metade do que costumam ficar. O período chuvoso se antecipou e a chuva  pode aumentar. Com base no Serviço de Proteção da Amazônia (Sipam) e outros parceiros da meteorologia, acreditamos que a chuva pode permanecer até meados de maio”, disse.

A região do baixo Amazonas é a única do Estado em que o período de enchente ainda registra níveis inferiores aos do ano passado, mas ela costuma ser a última a ser afetada pela elevação das águas.

Enchente veio sem o repiquete

O nível do rio Negro, em Manaus, está 4,52 metros acima do mesmo período registrado no ano. A cota ontem está em 21,12 metros. O rio começou a subir em 5 de novembro e em 30 dias subiu 1,67 metro, o que corresponde uma média de 5,6 centímetros por dia.

De acordo com o encarregado do Serviço Hidrográfico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, o diferencial do início da cheia é que não houve repiquete, fenômeno que ocorre quando as águas  sobem por conta da chuva, no fim do período de vazante e depois voltam a baixar podendo ser confundido com o início da cheia.

No entanto, ele explica que não há possibilidade de dizer como será a cheia de 2014. “Só é possível dizer isso mo final de fevereiro quando o comportamento do rio está no ponto que podemos fazer previsões, falar o que pode e o que não pode acontecer”, disse.

Apesar do rio estar quase cinco metros (20,94 metros) acima da cota registrada no anos passado, Valderino enfatizou que isso não quer dizer nada. “É uma coisa muito comum. Só porque está maior não quer dizer que temos a confirmação de grande cheia”, disse.

Em números

4m52é a diferença dos níveis do rio Negro ontem e no mesmo dia de 2012. Para Roberto Rocha, da Defesa Civil, esse é um fato preocupante.

Para Valderino Pereira da Silva, do Porto de Manaus, é uma coisa muito comum. “Só porque está maior não quer dizer que temos a confirmação de grande cheia”, disse.

O Subcomando de Ações de Defesa Civil do Estado ofereceu cursos para treinar funcionários das prefeituras, mas boa parte delas sequer tem uma secretária de Defesa Civil funcionando na estrutura da prefeitura.