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Pesquisador afirma que ocupação da reserva Ducke provocaria catástrofe ambiental

O hidrogeólogo Carlos Aguiar alerta que, primeiramente, as autoridades do Estado têm que livrar o entorno da reserva das ocupações

Carlos Aguiar [CPRM]

Pesquisador afirma que lençol freático de Manaus é de água límpida e para que se conserve assim precisa da preservação do entorno da Reserva Adolpho Ducke (Evandro Seixas)

A preservação do entorno da Reserva Adolpho Ducke é fundamental para a manutenção da qualidade da água subterrânea da cidade de Manaus. A conclusão é do hidrogeólogo Carlos Aguiar, pesquisador da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - Serviço Geológico do Brasil (CPRM). A criação de uma zona de amortização nos arredores da área de proteção é um pleito dele e de outros especialistas e ficou em evidência com as discussões do Plano Diretor da cidade de Manaus, que entra em votação final esta semana na Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Desde 1996, Carlos Aguiar estuda a hidrogeologia no Estado e afirma que a longo prazo a preservação da área ao redor da reserva será fundamental para a manutenção da boa qualidade das águas subterrâneas da capital do Amazonas. As águas subterrâneas, disse, serão as alternativas à progressiva poluição do rio Negro e a possibilidade de uma catástrofe ambiental no rio. “A Reserva Ducke e seu entorno são áreas estratégicas, com relação à preservação das águas subterrâneas. Daqui a uns 100 anos ela será fundamental para aqui”, afirmou.

O pesquisador explicou que um grande aquífero (reservatório de água subterrânea), mais conhecido como Alter do Chão, se estende por baixo da bacia Amazônica desde a Cordilheira dos Andes até o Pará. De acordo com ele, milhões de anos atrás, antes da formação dos Andes, esse sistema esteve interligado com as águas salgadas dos oceanos o que resultou em uma alta concentração de sais no aquífero, o que torna boa parte dessa água imprópria para o consumo humano.

“Mas a intensidade de sais não é constante. Ela diminui conforme segue no sentido oeste”, frisou. No entanto, nas proximidades de Manaus o teor de sais ainda é elevado e a cidade só não tem água imprópria por causa de uma “proteção” natural dos rios que cortam a frente da cidade. “Esse fluxo da água salgada não passa por Manaus porque a gente tem a proteção do rio Negro e do rio Solimões. Então a água chega por aqui (apontando para os rios no mapa) e desvia”, explicou.

De acordo com Carlos Aguiar, as águas subterrâneas de Manaus fazem parte de um sistema independente, que recebe as águas da chuva que infiltram no extremo norte da região. “As nossas águas aqui são de excelente qualidade, as que estão chegando à cidade”, disse.

O hidrogeólgo afirma que boa parte das águas subterrâneas de Manaus passa pela reserva e que ela é filtro natural. “Lá é uma área que não tem agressão. Por que não fazer uma área de bombeamento de água lá futuramente? Mas, para isso é preciso proteger essa emenda (área entre a reserva e o restante da floresta)”, defendeu. Ele exemplificou com modelo do Parque das Dunas em Natal (RN), onde os poços da cidade são localizados.

Ocupação vai poluir as águas
O pesquisador da CPRM observa que mesmo em pequena escala a urbanização, industrilização e até mesmo agricultura na área serão prejudiciais à qualidade das águas do subsolo. ‘Futuramente a ocupação nessa área vai poluir essas águas”, disse.

Com as pontuações de Carlos Aguiar, a defesa de uma área de proteção no entorno ganha mais um reforço. Especilistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), do Conselho de Arquitetura do Amazonas (CAU-AM), do departamento de geografia da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da sociedade civil organizada realizaram no último dia 4 de dezembro um encontro com o objetivo de sensibilizar a comunidade amazonense para a preservação da área da Reserva Duque.

O pesquisador recebe aval do Inpa para furar um poço na Reserva Ducke para ampliar as pesquisas e atualizar o mapeamento das águas subterrâneas de Manaus – trabalho com qual ele foi pioneiro e que concretizado em 2002.

Ele disse que vai solicitar do Inpa a perfuração de mais um outro poço ao norte da reserva. O pesquisador pretende finalizar um doutorado com foco nas águas subterrâneas na reserva.

Falta presença de organismos
O Instituto Municipal de Ordem Social e Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, em resposta para A CRÍTICA, informou que “fez falta a presença mais efetiva e propositiva de representantes de Organismos técnicos como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo, as Escolas de Arquitetura e outros que teriam muito a contribuir”.

Roberto Moita também respondeu sobre a proposta de criação de uma área de amortização. “Não será debatendo classificações que avançamos neste tema, mas, apresentando propostas concretas de zoneamento, padrões de ocupação e limitações de uso que visem atingir a proteção pretendida, mas também que levem em consideração a Cidade real que já chegou na Reserva Ducke desde os anos 1990”.

No artigo 56 do Projeto de Lei Complementar 01/2013, aprovado na comissão está escrito que “Área de Expansão Urbana é a faixa do território municipal que contorna os limites da Área Urbana, incluindo a Reserva Florestal Adolpho Ducke, podendo abrigar atividades agrícolas, usos e atividades urbanas de baixa densidade, onde são incentivadas atividades ecoturísticas”.