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Polícia Civil investiga incêndio contra árvore de 500 anos em reserva florestal de Manaus

Policiais do meio ambiente realizaram a perícia no local onde a árvore foi incendiada. A árvore media 45 metros de altura, 21 só de tronco, cinco metros de diâmetro e sete metros de raiz

A árvore pertencia à Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Zona Leste da capital

A árvore pertencia à Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Zona Leste da capital (Divulgação)

Uma equipe de policiais civis da Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente (Dema) está investigando o crime ambiental contra uma árvore da espécie angelim-pedra, de aproximadamente 500 anos, que havia sido incendiada na madrugada de sábado (3), dentro de uma reserva florestal de Manaus.

A árvore media 45 metros de altura, 21 só de tronco, cinco metros de diâmetro e sete metros de raiz. A planta não sobreviveu ao ataque e tombou na manhã de domingo (4), dentro da Reserva Florestal Adolpho Ducke, na Zona Leste da capital. Um material inflamável havia sido aceso e jogado na parte interna da árvore, que tem parte oca, e o fogo destruiu a estrutura da planta até matá-la.

Um boletim de ocorrência (B.O.) foi registrado na Dema por funcionários do Museu da Amazônia (Musa), que também fica dentro da reserva. Já na tarde desta segunda (5), os policiais da delegacia de meio ambiente realizaram a perícia no local onde a árvore foi incendiada, recolhendo vestígios e provas do crime ambiental.


“Tomamos as providências iniciais, de boletim de ocorrência, e vamos ouvir o vigilante que estava na reserva no momento do incêndio. Já fizemos perícia e depois vamos enviar ofício para a Polícia Federal, porque a reserva fica dentro de território federal”, disse a delegada Izolda Couto, titular da Dema.

Após os procedimentos iniciais na Dema, a Polícia Federal será notificada e será responsável por conduzir as investigações. Na Lei de Crimes Ambientais (9605), o incêndio contra a árvore é tipificado nos artigos 40 e 41, ou seja, causar dano em unidade de conservação – com pena de reclusão de um a cinco anos e multa; e incêndio – com pena de reclusão de dois a quatro anos e multa, respectivamente.

Incêndio

Cerca de 45 mil litros de água foram utilizados pelo Corpo de Bombeiros para apagar o fogo desde sábado, e somente na manhã desta segunda (5) que as chamas foram totalmente apagadas. Após a árvore estar tombada, os bombeiros cerraram partes do caule e jorraram água na parte interna da planta. O trabalho era para evitar que outras árvores fossem atingidas.

A árvore incendiada ficava a cerca de um quilômetro de distância da sede administrativa da reserva. Ao redor dela foram encontradas alimentos e velas, em um suposto ritual de magia negra. “Eu entrei lá com policiais e vimos resto de comida, um abacaxi e velas, que pareciam de ritual. Não podemos afirmar isso, mas parecia”, contou Rubenaldo Ferreira da Silva, subcoordenador do Musa

Conforme a delegada Izolda Couto, nenhum material referente a ritual de magia negra foi entregue à Dema. “Não entregaram nada. A perícia no local foi realizada, mas quanto mais provas entregarem será melhor para esclarecer o fato”, disse.

Além da Dema, fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) e funcionários da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) visitaram o local do incêndio e poderão gerar relatórios sobre o caso.


A reserva Adolpho Ducke tem 10 mil hectares (100 km²) e foi criada para estudo científico, porém tem visitação de 8h às 17h de terça a domingo. O local é território federal e é administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa), em parceria com a Prefeitura de Manaus. Apesar da entrada livre na reserva ser proibida, é comum moradores das redondezas invadirem a área para praticarem atividades de lazer.

Angelim-pedra

A árvore incendiada, a angelim-pedra, tem o nome científico coincidentemente de Hymenolobium petraeum Ducke, que faz referência ao biólogo italiano Adolpho Ducke. A angelim-pedra é da família das Fabaceae e tem habitat em territórios de florestas altas de terra firme, em campos altos, como a Amazônia brasileira.