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Prefeito peruano diz que lixão é fruto da falta de integração na fronteira com o Brasil

O acúmulo de lixo doméstico e hospitalar em braço do Rio Javari, produzido pelo município de Islândia, no Peru, e que afeta diretamente o Benjamin Constant (AM), deveria ter sido resolvido há anos mas falta "interesse das autoridades"

Francielio ficou surpreso ao se deparar com o lixão que ocupa mais de dois mil metros quadrados do igapó onde o lixo é jogado

Francielio ficou surpreso ao se deparar com o lixão que ocupa mais de dois mil metros quadrados do igapó onde o lixo é jogado (Divulgação )

O alcaide (prefeito) do Distrito de Yavari, cuja sede é a pequena cidade de Islândia, Santiago Fernando Vallafani Vasquez, na divisa entre o Brasil e Peru, afirmou hoje que o problema do lixão de sua cidade é o reflexo da falta de integração entre os países para resolver problemas comuns na fronteira.

O lixo produzido em Islândia é uma grave ameaça ao meio ambiente e para a população do município de Benjamin Constant (a 1.116 km de Manaus, localizado na região do Alto Solimões). Resíduos sólidos domiciliares e hospitalar tem como destinação final o igapó na Ilha de Islândia, às margens do Javarizinho, braço do Rio Javari que divide os dois países.

Santiago Fernando se reuniu na manhã desta segunda-feira (10) com o comerciante e vereador Ares Cabral (PMDB) na sede da Alcadia (Prefeitura), em Islândia.

Ele informou que o problema da destinação do lixo em Islândia vem sendo discutido desde 2011, sem que tenha alcançado nenhum resultado prático. Naquele ano foi proposto uma espécie de convênio para que o lixo peruano fosse levado para Benjamin Constant, o que não foi posto em prática.


Vereador Ares Cabral (E) e o alcaide do Distrito de Yavari, Santiago Fernando Villafani Vasquez (D) (foto: José Valdir)

Para Santiago Villafani, o problema do lixo é um dos vários vividos pelas populações dos dois municípios, como também o contrabando de mercadorias e a questão da segurança pública.

Ele fez uma crítica quanto a falta de uma política específica para as cidades fronteiriças e às leis dos dois Países.

“Parece que as autoridades de nossos Países não se deram conta dos nossos problemas. As leis que somos obrigados a cumprir não nos serve, não nos ajuda em nada”, afirmou o alcaide.

Villafani é a favor da criação de uma lei específica de integração nas fronteiras, respeitando as características de cada região, como a da Tríplice Fronteira com o Brasil, Peru e Colômbia.

“É preciso que haja interesse e vontade política de cada ente fronteiriço e também de suas autoridades”, observou.

Ilha fluvial

Sede do Distrito de Yavari (Javari em português), Islândia está localizada em uma ilha fluvial. Por estar em área de terras baixas, a ilha passa a maior parte do ano alagada, tanto que as edificações são erguidas em palafitas com mais de dois metros do solo. A circulação dos 2,5 mil moradores são em pontes, não havendo circulação de veículos.


Vista da cidadela de Islândia, sede do Distrito de Yavari na fronteira entre Brasil e Peru (foto: José Valdir)

O Distrito de Yavari (o equivalente a município no Brasil) possui uma população de 14 mil habitantes e receita mensal de pouco mais de US$ 110 mil mensais, o que representa cerca de um quarto da receita de Benjamin Constant. A região próxima à fronteira do Brasil é uma área de proteção ambiental peruana criada na década de 1990.

A única alternativa para o depósito do lixo seria transportá-lo por barco para uma localidade distante a 12 horas de Islândia.

O alcaide informou que a União Europeia vem tentando articular uma integração de fronteira na região do Alto Solimões.

Ainda no começo desta semana, uma equipe do Ibama sediado em Tabatinga esteve no local onde está situado o lixão.

Em Benjamin Constant está sendo realizados exames químicos da água do Javarizinho por solicitação do secretário municipal de Saúde, Braz Santos. O resultado deverá ser divulgado nos próximos dias.