Caminhar até dois quilômetros da margem do rio até suas casas, tentar a sorte na pescaria em áreas distantes e enlameadas, recorrer à comida “de caça”. Esta tem sido a rotina de ribeirinhos das comunidades rurais do Tarumã-Mirim, afluente do rio Negro, desde que os efeitos da estiagem recorde chegaram com mais força naquelas localidades. Segundo relatos dos ribeirinhos, muitos poços secaram e os gêneros alimentícios das mercearias estão ficando escassos. Nestas áreas, apenas pequenas rabetas e canoas conseguem alcançar.
“Já não dá mais vontade nem de sair de casa. Em toda a minha vivência, nunca vi uma seca como essa”, contou Manoel Alves Pereira, 50, dono de um recreio preso à areia misturada com barro à margem da comunidade Livramento, uma das três visitadas pela reportagem de A CRÍTICA na última quinta-feira, 21.
