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Após nível estável no mês de junho, cheia do rio Negro avança no Centro de Manaus

Cota do rio Negro, que continua subindo, fez transbordar bueiros na praça Tenreiro Aranha e começa a alagar a Alfândega. Enchente também prejudica na Zona Oeste da capital

Pátio nos fundos do prédio da Alfândega, no Centro de Manaus, começa a ser invadido pelo esgoto, ‘empurrado’ pelo rio

Pátio nos fundos do prédio da Alfândega, no Centro de Manaus, começa a ser invadido pelo esgoto, ‘empurrado’ pelo rio (J. Renato Queiroz)

A enchente do rio Negro continua preocupando comerciantes e moradores das áreas alagadas. Na sexta-feira, o rio chegou a 29,50 metros e ultrapassou em um centímetro a previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que no primeiro alerta, emitido em maio, é que o rio Negro chegaria à marca 29,49 metros. No ano passado, a cota ficou em 29,33 metros.

No Centro, as ruas Barão de São Domingos e dos Barés seguem inteditadas em decorrência da enchente. Além das ruas, a parte de trás do prédio da Alfândega já foi afetado e um dos esgotos da praça Tenreiro Aranha começou a transbordar.

Segundo o comerciante Pedro Malta de Lima, 48, o rio está demorando para baixar e isso tem deixado as pessoas que trabalham no Centro preocupadas, pois significa mais prejuízos. “O rio baixou e durante esses últimos dias voltou a subir”, disse o comerciante.

A aposentada Odete Souto, 65, conta que, no período da enchente evita ir à feira, no Centro, porque o mau cheiro da água e o trânsito nas ruas interditadas causam muitos transtornos. “Normalmente eu venho três vezes por semana, mas nesse período da enchente venho somente duas, às vezes uma só, para evitar essa confusão”, explicou a aposentada.


Ainda segundo o comerciante Pedro, em outros anos, no início de julho, o rio não estava enchendo mais e as águas começavam a baixar gradativamente. O comerciante se disse preocupado, principalmente com os próximos anos, porque as grandes enchentes têm ocorrido com mais frequência.

Recorde

A maior cheia da região ocorreu em 2012, quando o rio Negro atingiu 29,97 metros. A segunda maior aconteceu em 2009 e chegou a 29,77 metros.  Atrás dela ficou a ocorrida em 1953, quando o rio Negro atingiu a marca de 29,69 metros.

No início de junho,  o encarregado do Serviço Hidrológico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, que monitora o comportamento do rio Negro há 45 anos, disse que o rio apresentava sinais  característicos de início de vazante.

Para o comerciante Roberto Mendes, 58, todas essas mudanças estão acontecendo por culpa do próprio homem, que mesmo vendo os sinais da natureza, continua poluindo, fazendo obras que afetam o meio ambiente. “Essa é a resposta da natureza e, se continuar, assim vamos ter enchentes ainda maiores”, acrescentou Roberto.


Igarapé Tarumã transborda

Assim como os comerciantes do Centro, os moradores do bairro Tarumã também estão ansiosos pelo fim da enchente, que fez com que nove famílias precisassem deixar as casas e construir barracos em uma parte do terreno vizinho. Para conseguir cozinhar, tomar banho e lavar roupa, as famílias  gastam R$ 20 por semana para ter água. 

Segundo os moradores, as casas  estão todas alagadas pelo igarapé do Tarumã e, enquanto o nível da água não baixar, é impossivel voltar para o local.

De acordo com a dona de casa Ericleide Côrrea, 32, que está morando com os cinco filhos e o marido em um barraco improvisado, com um único cômodo, este ano as águas do igarapé estão demorando muito para baixar e, por enquanto, é impossível sabem quando eles poderão voltar para casa. “Há quatro anos passo por isso, mas este ano está demorando um pouco mais”, acrescentou a dona de casa.

Ainda de acordo com Ericleide, a Defesa Civil esteve no local uma vez e os moradores receberam o aluguel social oferecido pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh) só um mês. “Esse apoio foi pago só um mês, por enquanto estamos fazendo o que é possível e esperando as águas baixarem para voltar pra casa”, disse a moradora.

O irmão de Ericleide, Erivaldo Côrrea, 39, lembra que, além da preocupação com o avanço da água, os moradores não sabem como vão consertar as casas quando o igarapé baixar, pois a estrutura da maioria das residências foi prejudicada.

A cheia do igarapé Tarumã, que já está quase alcançando a ponte da estrada da Vivenda Verde, também já prejudica o acesso de veículos a parte dos ramais do bairro, onde a pista está sendo invadida pela água.

Atendimento da Semasdh

De acordo com a Defesa Civil, o trabalho agora tem se concentrado no monitoramento do rio, pois já foi realizada a construção das pontes e as 3 mil famílias afetadas estão sendo atendidas pela Semasdh. No Centro, está sendo despejado cal na água, para evitar mau cheiro, contaminações e prevenir doenças.

Em números

16 é o total de bairros atingidos pela enchente em Manaus, segundo a Defesa Civil. Eles ficam, principalmente, nas zonas Leste, Sul e Oeste. Em 2013, a enchente afetou 14 bairros da capital, muitos na Zona Sul, que esse ano recebeu apoio do Prosamim.