Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Sem-terras promovem nova invasão às margens da AM-070 em Iranduba (AM)

Grupo que diz indígena volta a invadir terreno no KM 6 da rodovia Manoel Urbano, pertencente à União, passado quase um ano da ocupação ocorrida em 2013

Índios comandam invasão em trecho da rodovia Manoel Urbano, em Iranduba (AM)

Índios comandam invasão em trecho da rodovia Manoel Urbano, em Iranduba (AM) (Erica Melo)

Cerca de 50 pessoas estão acampadas num terreno que fica na altura do KM 6 da rodovia Manoel Urbano (AM-070), que liga Manaus ao município de Iranduba (distante 27 quilômetros da capital amazonense), desde a manhã desta terça-feira (3). A invasão é no mesmo local da ocorrida no ano passado, quando cerca de 1,5 mil pessoas foram expulsas do local por meio de liminar da Justiça.

A nova invasão, denominada "Comunidade Deus é Por Nós", é comandada pelo cacique Sabá Kokama, de 52 anos, mesmo líder do movimento de 2013. Pelo menos 30 homens com pinturas indígenas pelo corpo formaram uma barricada na entrada do terreno e, armados de arco e flecha, tacapes e lanças estão impedindo a entrada de carros ou motos ao local.

De acordo com o cacique, a ação tem como intuito abrigar as famílias que estão sofrendo com a enchente no Amazonas. Pessoas que tiveram que sair de suas casas no distrito do Cacau Pirera e Iranduba, assim como nas áreas alagadas em Manaus, serão recebidas na invasão e receberão um local para construir suas moradias.

Sabá Kokama diz querer abrigar pelo menos 100 famílias na área. "Nós voltamos porque o Governo não está dando casa pro povo. O povo perdeu a casa com a enchente e não tem onde morar". Ainda, de acordo com o cacique, existem dois advogados brigando pela causa indígena com ele, mas não soube dizer seus nomes.

Questionado se alguma autoridade já havia entrando em contato com eles sobre uma possível reintegração de posse, Kokama se exaltou e disse: "Se eles vierem bater ou atirar em nós, nós vamos atirar também", ameaçou o cacique, que por diversas vezes proibiu nossa reportagem de fotografar tanto o acampamento principal, como o rosto dos supostos indígenas.

Os homens se dizem pertencentes às etnias Miranha, Saterê e Munduruku e se revezam na vigilância da entrada do terreno. Ao longo da nossa visita ao local, foi presenciada a entrada de mais pessoas, que chegavam a pé ou eram deixadas de motocicleta. Uma das mulheres que havia acabado de chegar nos disse que a casa dela, na Comunidade Novo Céu, havia caído e, por isso, estava se juntando ao invasores.

Cacique ameaça protestar na Arena

Kokama disse que não tem apoio da Funai ou qualquer órgão governamental, mas citou que a União dos Povos Indígenas de Manaus (UPIM) estava disposta a ajudá-lo no movimento. O cacique também contou que os índios irão protestar na Arena da Amazônia, na abertura da Copa em Manaus. "Nós vamos cercar a Arena pra exigir que o governador José Melo venha ver nossa situação aqui e resolva tudo pra nós", completou.

Mesmo terreno foi desocupado em setembro passado

Em 25 de setembro de 2013, o terreno em questão foi desocupado por força de uma liminar. Na época, cerca de 500 homens das Polícias Civil, Militar e Federal formavam o Grupo de Gestão Integrada (GGI), comandados pelo Coronel Aroldo Ribeiro, que deram proteção para que as máquinas destruíssem o que já havia sido construído no local.

*Até a publicação desta reportagem, o Portal A Crítica não havia conseguido falar com o Prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros, para maiores esclarecimentos