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De janeiro a maio, Prefeitura de Manaus gastou R$ 5 milhões para limpar igarapés

Nos cinco primeiros meses deste ano, foram retiradas cerca de 3,5 mil toneladas de lixo dos cursos d'água poluídos da capital amazonense

Lixo jogado pelos moradores nas ruas e calçadas são levados pela chuva até os cursos d’água, onde se juntam aos resíduos lançados na água pelos moradores das margens dos igarapés, que ficam tomados pela sujeira

Lixo jogado pelos moradores nas ruas e calçadas são levados pela chuva até os cursos d’água, onde se juntam aos resíduos lançados na água pelos moradores das margens dos igarapés, que ficam tomados pela sujeira (J. Renato Queiroz)

A constante poluição dos igarapés que serpenteiam a capital amazonense de norte a sul levou a Prefeitura de Manaus a empregar, nos cinco primeiros meses de 2014, cerca de R$ 5 milhões na retirada de 3.500 toneladas de lixo. De acordo com o secretário Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Paulo Farias, aproximadamente 700 toneladas de lixo são retiradas, por mês, dos igarapés da capital.

Neste período da cheia, o lixo acumulado fica mais visível nos igarapés do São Raimundo, Educandos, do Franco ( avenida Brasil, Zona Oeste ), Mestre Chico, Manaus 2000, 40, entre outros. “Na cheia não fica pior a quantidade de lixo, na cheia fica mais visível, por que o Rio Negro represa os igarapés e o lixo tende a ficar retido na foz, principalmente no igarapé do São Raimundo e do Educandos”, explicou.

Erroneamente, muitas pessoas atribuem a poluição dos igarapés e rios somente aos moradores que residem em palafitas ou em áreas próximas, porém,  a maior parte do lixo recolhido dos igarapés é proveniente das ruas, explicou o secretário. No período chuvoso, o problema se agrava porque o acúmulo de lixo intensifica o transbordamento de igarapés, inundando casas, causando prejuízo material, além de doenças que podem levar à morte.

A aposentada Maria José, 64, morou dez anos numa palafita no igarapé do 40, bairro Cachoeirinha, Zona Sul, e há quatro anos foi uma das beneficiadas pelo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim). Ela disse “conhecer bem” os problemas enfrentados por quem “precisa” morar em áreas poluídas.

“Por dez anos eu, minha filha e meus netos vivemos num pavor no período de chuvas, pois além de alagar a casa, apareciam muitos ratos, cobras e lacraias. Era um horror. Hoje eu moro num apartamento do Prosamim, que é melhor e mais seguro, mas a gente que já está há muito tempo vivendo no meio da poluição se acostuma com o mau cheiro, mas já vi muita gente não aguentar e passar mal mesmo”, relatou Maria.

O motorista Charles Menezes, 46, mora desde que nasceu na rua Mark da Silveira, em frente ao Igarapé do 40, e reclama da quantidade de mosquitos que se concentram, atraídos pelo lixo. “Aqui, quando dá 17h30, não tem mais como deixar uma janela ou porta da casa aberta, senão ninguém aguenta de tanto mosquito. Dengue aqui é comum, inclusive, faz tempo que eu não vejo ser feita aquela dedetização por caminhões, e acho que neste período é que deveria mesmo haver um reforço para evitar doenças”, sugeriu Charles.

A aposentada Rita Vieira, 67, contou que quando chegou ao bairro da Cachoeirinha, lavava as roupas com a água do igarapé, ainda livre de poluição. “Quando eu conto ninguém acredita, eu sentava na calçada da frente de casa e lavava as roupas com a água do rio. Meus filhos aprenderam a nadar nele, e hoje nós não aguentamos nem ficar sentado em frente de casa, com esse fedor todo”, lamentou Rita.

Alagamentos provocam doenças

Além dos problemas de transbordamento de igarapés e alagamento de ruas e casas, o período da cheia dos rios revela outras consequências da poluição dos igarapés, que são as doenças transmissíveis pela água. Aqueles bairros que não possuem saneamento básico são invadidos pela enchente, que traz o esgoto despejado e provoca doenças, como a leptospirose, a hepatite e ainda parasitas, entre outros males. 

As enchentes e o período de vazante trazem as doenças de veiculação hídrica, como hepatites A e E, doenças diarréicas, salmoneloses, febre tifóide e leptospirose, alertam os médicos.

O ideal, de acordo com os especialistas em Saúde,  é que a população evite utilizar águas retidas (água que não volta para o rio), onde a matéria orgânica se decompõe e os agentes infecciosos se multiplicam. Geralmente, quem adoece são aquelas pessoas que utilizam ou entram em contato com essas águas, seja para beber, cozinhar, lavar utensílios domésticos ou até o chão.

Saiba mais

Doenças: Da água podem surgir muitas doenças, ainda mais nos dias de hoje, com a poluição dos cursos d’água, principalmente aqueles que cortam a zona urbana.

Cuidados: Quem mora em áreas alagadas durante o período de cheia deve tomar cuidados redobrados para evitar a contaminação por doenças de transmissão direta e indireta. Entre as medidas está evitar o contato com a água poluída e usar apenas água tratada para o consumo humano.

Transmissão direta: Cólera, Febre tifoide, Febre paratifoide, Desinteria bacilar, Amebíase ou desinteria amebiana, Hepatite infecciosa, Poliomelite.

Transmissão indireta: Esquistossomose, Fluorose, Malária, Febre amarela, Bócio (conhecido como papo), Dengue e Leptospirose.