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Vibrião colérico é encontrado nas águas do rio Madeira

A cheia que castiga Rondônia aumenta o risco de contaminação à população do Estado vizinho. Autoridades sanitárias do Amazonas entram em alerta

Moradores de Porto Velho vão ao parque da ferrovia Madeira-Mamoré para registrar a enchente recorde, que praticamente alagou toda a “Maria-Fumaça”

Moradores de Porto Velho vão ao parque da ferrovia Madeira-Mamoré para registrar a enchente recorde, que praticamente alagou toda a “Maria-Fumaça” (André Alves)

A confirmação da presença do vibrião colérico (agente causador da cólera) nas águas do rio Madeira, em Porto Velho, colocou em alerta a secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam). A cheia que castiga Rondônia, e atinge mais de 16 mil pessoas, aumenta o risco de contaminação à população do Estado vizinho. O rio Madeira é o principal afluente do rio Amazonas. Até esta quinta-feira (27), a cota do rio estava em 19 metros e 66 centímetros.

“A situação realmente preocupa. Estamos atentos e vamos manter um monitoramento. Em se tratando de cólera, não é só o aspecto da contaminação da água que deve ser observado, mas também a questão do deslocamento humano”, disse o diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas, Bernardino Albuquerque, ciente de que a rota de passageiros entre Amazonas e Rondônia, tanto por barco quanto por avião, é uma constante.

Hoje, uma equipe da Susam chega a Humaitá (município que fica a duas horas de Porto Velho, via terrestre) para monitorar, dentre outras coisas, a incidência de doenças diarréicas na cidade, e coletar material para analisar a possível existência do vibrião da cólera no município amazonense. Dois casos suspeitos de cólera são investigados pelas autoridades de saúde de Porto Velho.

“Encontramos o vibrião colérico em duas coletas, uma em Jaci-Paraná (a 90 quilômetros de Porto Velho) e outra na água que atingiu a Estrada de Ferro Madeira Mamoré (no Centro da cidade). É preciso que a população adote certos cuidados”, disse o secretário de Saúde da capital de Rondônia, Domingos Sávio. Apesar do alerta, a população da cidade vem desprezando o risco de contaminação, para desespero do setor de Saúde de Rondônia.

As áreas alagadas se transformaram em passeio turístico em Porto Velho. Inundados com a cheia, a Justiça Federal, o Tribunal Regional Eleitoral e a Receita Federal em Rondônia estão entre os órgãos que se tornaram “pontos turísticos” depois que a enchente tomou as ruas do Centro da capital. A excursão pelas áreas alagadas, em rabetas, custa R$ 5 por pessoa. “Dependendo do dia, ganho até R$ 400”, diz Zedequias Vieira Barroso, 23, que conduz rabetas levando “turistas” pelas ruas que se transformaram em rio.

Segundo ele, hoje, o lucro, com a alagação é maior do que quando fazia o mesmo serviço na orla de Porto Velho.

Curiosos se expõem a riscos

A Estrada de Ferro Madeira Mamoré, há anos desprezada por políticos locais e pela própria população de Porto Velho, voltou a ser o principal ponto turístico da cidade em virtude da cheia. Desde que as águas do rio Madeira tomaram conta das Marias Fumaças que enfeitam o cartão postal, centenas de pessoas passam pelo local para conferir de perto a enchente. Redes são atadas entre árvores ainda não atingidas pela inundação. Até colchão foi instalado no gramado por uma família.

O secretário de Saúde de Porto Velho, Domingos Sávio, implora para que as pessoas evitem o local, cujas águas estão comprovadamente contaminadas. “Por favor, não vão para a Estrada de Ferro Madeira Mamoré colocar seu filho descalço lá para tirar foto”, disse ele, na última quarta-feira, em entrevista coletiva. Ontem, ele informou que pedirá ajuda do Estado, da Marinha e do Exército para interditar o local com tapumes.

Mesmo com a ameaça de cólera, a população continua a visitar o local. “Essa daqui é a cheia da história de Rondônia”, diz o eletricista aposentado José Ferreira, 70, que foi conferir a inundação das locomotivas e tirar fotos. Natural do Ceará, ele chegou aos 11 anos a Rondônia, na década de 50, e afirma nunca ter visto uma enchente tão violenta. “Isso é ‘arrumação’ do homem”, especula ele, a respeito da interferência humana na natureza.

Doenças e riscos

Depois de confirmar a presença do vibrião da cólera no rio Madeira, a Prefeitura de Porto Velho enviou à USP a água coletada, para saber qual é o tipo e o risco da bactéria. O resultado sairá na próxima segunda-feira (31). Das doenças infecciosas transmitidas pelo contato com a água, 17 casos de leptospirose já estão confirmados. Há outros 40 suspeitos. “A informação que nós temos é que 500 mil cabeças de gado morreram na Bolívia, estão descendo o rio e podem chegar a Manaus. Esses animais, mortos dentro d’água, podem desenvolver a cólera”, comentou Domingos Sávio.

Blog: Raica Esteves Xavier - especialista em Piscicultura

“A influência das usinas na cheia é real, mas ela não pode ser culpada como um todo. É claro que esse fator se juntou com a quantidade de águas advinda dos Andes (Bolívia). O rio Madeira também tem muitos sedimentos que se decantam. A água fica mais difícil de escoar, com excesso de lama. A velocidade com que a água do rio Madeira chega em Porto Velho é outro fator influenciador”, comentou a engenheira florestal Raica Esteves Xavier, 32, especialista em Piscicultura, mestra em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal de Rondônia (Unir) e professora de Aquicultura no Instituto Federal de Rondônia (Ifro). Ela mesma é vítima da grande cheia que atingiu a capital de Rondônia. Desde o dia 18 de fevereiro que Raica é obrigada a morar na casa de parentes. O bairro Baixa da União em Porto Velho, onde a especialista em Piscicultura tem uma casa, está completamente embaixo d’água.


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