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Indígenas cobram novo pacto no 3º Encontro de Mulheres sobre racismo institucional

Pesquisador Gersem Luciano Baniwa defende a retomada de alianças para assegurar e ampliar conquistas dos povos indígenas no Brasil

As mesas redondas sobre a questão do racismo institucional estão sendo realizadas nos auditórios Rio Solimões e Rio Negro do Instituto de Ciências Humanas e Letras

As mesas redondas sobre a questão do racismo institucional estão sendo realizadas nos auditórios Rio Solimões e Rio Negro do Instituto de Ciências Humanas e Letras (Márcio Silva)

Os indígenas vivem uma “era nebulosa” na relação com o Governo e com o setor privado. Identificar quem é quem nesse rio é tarefa complexa. A declaração é do antropólogo Gersem dos Santos Luciano Baniwa ao situar os contornos do movimento indígena no Brasil que nos anos de 1979/1980 não contava com aliados no plano institucional e na virada do milênio passou a ter muitos aliados.

“Tem liderança expressiva que é financiada pelo movimento ruralista”, disse o pesquisador da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) exemplificando a questão dos candidatos indígenas nas eleições deste ano: “é grande o número de indígenas candidatos que estão em partidos comprometidos com os ruralistas. Isso é complicado. Tem alguma coisa errada” indicou o pesquisador.

Gersem participou nesta quinta-feira (24), pela manhã, no auditório Rio Solimões, da Ufam, da mesa redonda “Luta e Resistência dos Povos Originários na Pan-Amazônia e no Caribe”, uma das atividades do 3º Encontro de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas que tem como tema “Racismo Institucional”. Para o antropólogo, nascido em São Gabriel da Cachoeira (AM), a luta travada pelos indígenas no Brasil é desigual e covarde quando confrontada com o poder político. “Fazemos parte de um Estado pluriétnico onde nós, os indígenas, não existimos. Onde estão os indígenas na estrutura de poder? Fomos alijados e, por isso, a luta lutada é desigual e é covarde”.

A situação dos vereadores indígenas foi citada pelo antropólogo para mostrar o grau de dificuldade na interlocução dos povos indígenas com as representações do poder. “Eles, de modo geral, não têm ações diferentes dos não-índios e acabam bancando o papel de meninos de recado do prefeito”, disse.

ALIANÇAS

Às 130 pessoas presentes no auditório Rio Solimões (dados da coordenação do encontro), o líder indígena falou da importância de se retomar as alianças perdidas e se fazer um novo pacto. “Temos embriões que podem crescer e protagonizar ações fortes para assegurarmos conquistas”, afirmou Gersem Baniwa, lembrando que os índios fazem lutas coletivas e comunitárias e que existem valores desses povos para serem reafirmados. São eles: direitos humanos coletivos, o de que são seres cosmológicos e espirituais (não de religião e sim da ligação que têm com a natureza, o universo); o território. “Nossos valores nos alimentam para superar a dominação, a exploração e o individualismo”, afirmou.