Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Indígenas invadem área verde na Zona Norte de Manaus

Liderança Kokama diz que quer mostrar aos governos que eles estão amparados por lei. No local existem 150 famílias, num total de 600 pessoas, segundo líder

Líderes informaram que no local há índios das etnias Kokama, Kaixana, Sataré Mawe, Tucano, Mura, Apurinã e Baré

Líderes informaram que no local há índios das etnias Kokama, Kaixana, Sataré Mawe, Tucano, Mura, Apurinã e Baré (Lucas Silva)

Quase 150 famílias que alegam ser indígenas entraram em confronto na manhã desta quarta-feira (28) com moradores no conjunto Francisca Mendes 2, na Zona Norte. A Polícia Militar precisou intervir, mas não houve feridos. Os indígenas invadiram uma área verde localizada entre os conjuntos Francisca Mendes e Alfredo Nascimento há oito meses e nesta quarta-feira, avançaram para os fundos das casas das pessoas que moram no local há 20 anos. Os índios deram o nome à ocupação de Assentamento Sol Nascente.

Apesar da invasão, havia um acordo verbal entre índios e moradores para que a ocupação não ultrapassasse os limites dos terrenos legalizados na área. Porém, na noite de segunda-feira, os índios derrubaram a cerca que existia no local e construíram barracos nos fundos das casas dos moradores. Aproximadamente 50 barracos foram erguidos na área. Na manhã desta quarta-feira, os moradores foram questionar a quebra do acordo com os indígenas e houve confusão. Índios e moradores discutiram e a polícia foi acionada para evitar conflitos.

Tanto índios quanto moradores alegam que sofreram agressão. A índia Nara Sateré Mawe, por exemplo, disse que foi agredida no pulso por um morador. O operador de máquina Roberdan Mendes Zogaib, 44, mora na rua Tiuma, antiga rua 87, há 18 anos. Ele disse que foi mantido em cárcere privado pelos índios durante 20 minutos. Ele é dono de uma das dez casas que ficam de fundo para a área invadida e questionou a retirada da cerca. Roberdan contou que foi empurrado pelos índios e teve lanças apontadas contra ele, além de sofrer ameaças. O morador só foi liberado depois da chegada da polícia.

O cacique Kauíxe Kokama, cujo nome em português é Eledilson Correa Dias, disse que os índios não querem conflito e que apenas estão reivindicando um território que “por direito histórico” é deles. Porém, a área invadida pertence ao município, segundo a polícia. Apesar do tumulto ter sido contornado, ninguém foi retirado do local.

A PM atuou como mediadora do conflito e os indígenas prometeram não que construiriam mais barracos para não provocar os moradores. No entanto, bastou à polícia sair do local para que a construção de mais barracos fosse retomada.

Os moradores da área denunciaram à polícia que os índios desmataram a área e expulsaram os animais que habitavam o local. “Todo o dia eu colocava banana nas árvores e os macacos vinham comer aqui sem serem incomodados. Até um casal de araras vermelhas vinha para cá. Todos foram os expulsos pelas pessoas que se dizem índios. Eles derrubaram as árvores e estão no terreno agora”, disse Roberdan.

Moradores se dizem ‘tensos’

Os moradores afirmam que vivem em clima de tensão. A dona de casa Genir da Silva Marques, 50, mora na rua Tiuma, antiga rua 87, há 20 anos e está apreensiva sobre o que pode ocorrer. “Nosso medo é que agora tem gente no fundo das nossas casas. Antes não tinha. Não sabemos se eles vão avançar para as nossas casas e se vão respeitar quem mora aqui. A polícia veio, evitou algo pior, mas disse que não poderia tirar eles sem a determinação de um juiz. A polícia foi embora e se eles começarem a brigar aqui como vai ser? Até a polícia chegar algo pior pode acontecer. O ideal seria eles saírem do terreno porque não são os donos. É uma área verdade da prefeitura”, disse.

De acordo com o cacique Kauíxe Kokama, os índios foram orientados a não provocar os moradores. Ele disse que é necessário a intervenção das três esferas de governo, municipal, estadual e federal, para encontrar a melhor solução. “O conflito não leva a nada”, disse.