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Poluição: Objetos de plástico jogados em igarapés de Manaus ‘viajam’ até oceanos

Uma garrafa PET jogada num igarapé de Manaus pode ir parar no Oceâno Atlântico e, posteriormente, no Pacífico. Cerca de 21 toneladas de lixo são retiradas mensalmente

Os igarapés de Manaus são ‘bombardeados’ mensalmente com 21 toneladas de lixo

Os igarapés de Manaus são ‘bombardeados’ mensalmente com 21 toneladas de lixo (Bruno Kelly )

A descoberta recente de duas “ilhas” de lixo flutuante, a maioria de objetos de plástico, no Oceano Pacífico, com uma extensão equivalente a dos Estados Unidos (EUA) serve de alerta e reflexão a respeito da necessidade de um sistema de coleta de lixo eficiente em Manaus, já que vários igarapés apresentam cenários semelhantes. A afirmativa é do doutor em ecologia Jansen Zuanon, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ao explicar que parte do lixo retirado dos igarapés em Manaus vai para o Oceano Atlântico, já que parte da descarga do rio Amazonas sai nas costas das Guianas. Mas é possível, segundo admite, que também chegue lá o lixo dos demais oceanos, embora de maneira mais lenta.

Estudiosos da vida marinha garantem que o Pacífico tem “redemoinhos” que prendem lixo de todos os oceanos e correntes marítimas como a Círculo Polar Antártica ligam os três oceanos da Terra. Assim, grande parte dos resíduos do Atlântico e do Índico acaba se dirigindo para o Pacífico, mesmo que leve décadas percorrendo os mares do mundo.

É possível, segundo Zuanon, que o lixo dos igarapés manauenses também chegue ao litoral do Nordeste brasileiro, por isso ele adverte para a reflexão das pessoas que costumam descartar lixo nos igarapés. “O efeito pode uma extensão muito maior do que o quintal das pessoas”, afirma ele, lembrando a tragédia ambiental representada por esse problema.

Lixo e esgoto

Mas os igarapés de Manaus têm outro componente tão poluidor quanto os objetos plásticos lançados neles. Os esgotos domésticos também vão para as águas sem qualquer tratamento e isso compromete, de forma severa, todos os cursos d’água na cidade. “Além de campanhas de orientação e sistemas de coletas eficientes, é preciso parar de jogar esgoto nas águas”, afirma Zuanon, para quem todo o cenário de sujeira e abandono acaba não inibindo as pessoas de sujarem os igarapés.

Para ele, se fosse o contrário, se as águas estivessem sem entulhos, as pessoas teriam pudor em sujar, mas como só veem lixo correndo nas águas, acabam não evitando poluir.

Integrante do grupo de pesquisa denominado Projeto Igarapés (www.igarapes.bio.br), cujo objetivo é contribuir para o conhecimento ecológico dos sistemas de igarapés na Amazônia brasileira, avaliando a ocorrência e distribuição das espécies de organismos aquáticos, sua história natural e os fatores bióticos e abióticos que influenciam as estruturas dessas comunidades biológicas, Zuanon diz que quanto mais cedo começar o processo de despoluição, mais cedo os resultados serão constatados.

Processos de despoluição de cursos de água são extremamente caros e geralmente demoram até duas décadas para obterem sucesso.

Pacífico tem três vezes mais plástico

As “ilhas” formadas por resíduos plásticos no Oceano Pacífico sinalizam para um desastre ambiental que parece não ter fim. De cones de trânsito a brinquedos, tênis e malas de viagem, metade dessa sujeira é lançada no mar por navios e plataformas de petróleo, segundo informou a agência de notícia que divulgou o fato. A outra parte deságua nos oceanos trazida por rios espalhados pelo mundo.

De acordo com os pesquisadores, o volume de plástico no Pacífico mais que triplicou e faz as primeiras vítimas entre os animais, que comem o plástico. Já foram encontrados todo tipo de objeto no estômago dos bichos. O pior é que o lixo boiando na superfície é só uma pequena parte da sujeira. Com o passar dos anos, pedaços menores de plástico se diluem, formando uma espécie de sopa nojenta.