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Plantação com 1.200 pés de ‘folha de coca’ é destruída no Amazonas

A ação realizada pelo Exército no município de Amaturá tem como objetivo reprimir a ação criminosa do tráfico internacional dentro do Brasil

A nova descoberta em solo brasileiro reacendeu um alerta preocupante indicando que o Amazonas deixou de ser usado apenas como rota para o tráfico de drogas provenientes da Colômbia e Peru

A nova descoberta em solo brasileiro reacendeu um alerta preocupante indicando que o Amazonas deixou de ser usado apenas como rota para o tráfico de drogas provenientes da Colômbia e Peru (Bruno Kelly)

Mais de 1,2 mil mudas de Epadu (Erythroxylon), planta utilizada na produção da cocaína, foram destruídas pelo Exército em uma área de mata fechada no município de Amaturá, a 910 quilômetros de Manaus, neste fim de semana.

É a segunda vez que uma plantação desta natureza é encontrada na Região. A primeira foi em 2008 quando imagens de satélite relevaram uma plantação do Epadu a 150 quilômetros ao Sul de Tabatinga e que foi destruídas pelo 8º Batalhão de Infantaria de Tabatinga.

A nova descoberta em solo brasileiro reacendeu um alerta preocupante indicando que o Amazonas deixou de ser usado apenas como rota para o tráfico de drogas provenientes da Colômbia e Peru, que entram por Tabatinga e seguem para todo o País e exterior, mas também se tornou território de cultivo do entorpecente.

A preocupação é ainda maior com a possibilidade do cultivo ter se disseminado na região. Antes da constatação do plantio no Amazonas, o lado brasileiro da tríplice fronteira, principalmente, em Tabatinga, era responsável pelos insumos para o processamento da droga. Sem a gasolina, cimento, amônia, ácido súlfurico, acetona, entre outros itens, que saem do Brasil, produtores de cocaína na Colômbia e, principalmente, no Peru não têm como produzir o entorpecente. Os narcotraficantes dependem dos materiais e na falta deles as folhas da coca ficam envelhecidas, perdem em pouco tempo as substâncias entorpecentes (alcalóides) e não podem mais ser utilizadas.

Apenas 200 mudas de Epadu são suficientes para produzir um quilo de pasta base de cocaína que após ser processada se transforma em dez quilos de droga em pó, aumentando ainda mais o lucro de narcotraficantes. Foram encontradas 1.290 plantas que resultariam em, pelo menos, 60 quilos da droga.

A plantação foi descoberta há dois meses durante a operação Curare 2, realizada na faixa de fronteira do extremo do Amazonas, nos meses de junho e agosto, para combater crimes na Região. O cultivo das mudas estava sendo feito num terreno de difícil acesso e quase impossível de ser identificado com visualização aérea, justamente para driblar o monitoramento do Exército. As plantas estavam distribuídas em várias clareiras no meio da mata numa área de 5,6 mil metros quadrados camuflada com plantação de banana, abacaxi e mandioca.

A plantação só foi descoberta após militares do 17º Batalhão de Infantaria de Selva de Tefé receberem uma denúncia de um indígena que recebeu atendimento médico do Exército. O militares percorrem mais de 4 quilômetros de floresta densa fazendo um verdadeiro pente fino afim de encontrar e eliminar a plantação.

Chegar ao local de cultivo do Epadu foi um desafio com grande logística porque não como se deslocar de avião ou helicóptero. É preciso partir de Amaturá de voadeira subindo o rio durante 50 minutos para chegar próximo a entrada de um braço de rio que em segundos se revela um verdadeiro labirinto de floresta alagada.

Em vários trechos às condições do terreno alagado obrigam os tripulantes a descer da embarcação e empurrá-la dentro da água. A navegação é lenta porque é preciso desviar de galhos e torcer para não bater em tocos e árvores submersas devido a cheia do rio. Após chegar em terra, são mais 20 minutos de caminhada dentro da floresta subindo e descendo barrancos e atravessando igarapés.

No caminho é possível encontrar índios da etnia Ticuna que habitam a área. Algumas mudas tinham aproximadamente dois meses e outras oito pronto para a extração e processamento.

Área do cultivo de coca é habitada por indígenas

Ninguém foi preso, identificado ou responsabilizado pelo cultivo ilícito. As plantas foram extraídas com a presença de um representante da Polícia Civil do Estado e entregues a delegacia de Amaturá para incineração.

A área onde a coca estava sendo cultivada é habitada predominantemente por índios da etnia Ticuna, segundo o comandante do 17º BIS, Anderson Pedra. Porém não há como indicar os responsáveis pela plantação, apesar das plantas coca estarem no terreno de plantação de alimento os indígenas. A Polícia Civil de Amaturá abriu inquérito para identificar os possíveis responsáveis pela plantação ilícita.

De acordo com Pedra, outra suspeita é que as plantas encontradas estariam sendo usadas há alguns meses para multiplicar o plantio em outras áreas. Ele também acredita que o processamento seria feito em outro lugar, uma vez que, na área não havia material para processamento.

Ele ressaltou que a ação para destruir a plantação também é para mostrar para os responsáveis que a fiscalização existe, é eficaz e vai continuar para combater o fomento ao tráfico no Amazonas.

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