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Ribeirinhos investem no turismo de base comunitária ‘de olho’ na Copa do Mundo de 2014

As 12 comunidades que integram a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro investiram na abertura de pousadas e em roteiros turísticos

A Pousada Vista Rio Negro, na comunidade Santa Helena do Inglês, tem capacidade para 32 pessoas e diárias de R$ 60

A Pousada Vista Rio Negro, na comunidade Santa Helena do Inglês, tem capacidade para 32 pessoas e diárias de R$ 60 (Euzivaldo Queiroz)

O rio Negro está de braços abertos para a Copa do Mundo. As 12 comunidades que integram a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Rio Negro investiram na abertura de pousadas e em roteiros turísticos e estão prontas para atrair os visitantes durante e após o Mundial. Mais do que ganhos econômicos, para muitos comunitários da região a atividade representa o fim de uma vida em que a única possibilidade de renda era a retirada ilegal de madeira da floresta.

O morador da comunidade do Tumbira, na margem direita do rio Negro, Roberto Mendonça, 39, foi um dos comunitários a trocar a atividade madeireira para se dedicar ao turismo de base comunitária. Com a ajuda da família, ele ergueu a Pousada do Garrido, que funciona efetivamente desde 2009.

As trilhas, antes usadas para extração da madeira, hoje servem de caminho para o turismo ecológico. “Conseguir parar de derrubar árvores para defender a preservação, e ainda fazer disso uma forma de sustento para minha família foi a melhor escolha que eu podia ter feito”, contou.

Às vésperas do mundial de futebol, ele afirma que o estabelecimento está pronto para receber os turistas. Com seis quartos e capacidade para 24 pessoas, o custo de hospedagem na pousada é de R$ 100, incluindo as refeições. “Já estamos com dois grupos, um da Alemanha e outro da Inglaterra, agendados para ficar aqui no mês de junho”, comemorou.

Geração de renda

Um diferencial destacado pelo proprietário da pousada foi a forma de funcionamento do empreendimento. Segundo ele, quatro outras comunidades participam de forma indireta. De Santa Helena do Inglês, são adquiridos a goma de tapioca e o pescado, utilizados na pousada. Da comunidade do Saracá, chegam os pães e de Camará, são comprados os ovos e a galinha caipira. “É a forma que encontramos de levar renda para mais pessoas”, explicou.

Seu Roberto calcula que, com a chegada dos visitantes, o faturamento da pousada cresça 150%, sobre o faturamento atual (R$ 6 mil). Para tanto, os passeios nas trilhas, focagem de jacaré e visita ao arquipélago de Anavilhanas, estão entre os atrativos. “Também investimos em uma lancha para o traslado e instalamos um terminal do Bradesco Express, para melhor atender o turista”, detalhou.

‘Caixinha’ comunitária

Na comunidade de Santa Helena do Inglês (a 60 quilômetros de Manaus), Nelson Brito, 37, também apostou nas potencialidades da região do Baixo Rio Negro para atrair visitantes. Ele, que também largou a motosserra pelo turismo sustentável, inaugurou ontem, com investimentos de R$ 100 mil, a Pousada Vista Rio Negro, com capacidade para 32 pessoas e diárias fixadas em R$ 60, incluindo o café da manhã.

O recurso utilizado para a construção da pousada foi a soma do que cada comunitário economizou por quatro anos do valor recebido mensalmente pelo Bolsa floresta-renda, do Governo Federal. A oura parte do investimento foi subsidiada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS). “A pousada não é só minha. É da comunidade. Todos trabalharam na construção e todos participam de uma forma ou de outra das atividades”, relatou.

Preparativos

A iniciativa dos comunitários não está restrita à RDS Rio Negro. Na Reserva do Uatumã, o morador da comunidade São Francisco, Midiã Vieira Coelho, se prepara para abrir sua própria pousada, prevista para o próximo ano. O estabelecimento vai iniciar com quatro quartos e oferecer atividades como rapel e trilhas. “Não vamos aproveitar o período da Copa, mas acreditamos que o turismo de base comunitária tem bastante vida após o mundial”, apostou.