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Usinas Hidrelétricas são isentas de culpa pela cheia histórica do rio Madeira, dizem especialistas

Deputado atribui à hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, situadas em Rondônia, responsabilidade por danos ambientais no Estado do AM. Especialistas divergem

Coordenador do Departamento de Ecologia do Inpa, Philip Fearnside tem se notabilizado por fazer alertas sobre as ameaças das hidrelétricas

Pesquisador do INPA, Philip Fearnside diz que cheia recorde do Madeira tem relação com chuvas nos andes bolivianos (Juca Queiroz)

A subida do rio Madeira num ritmo anormal e acelerado que está afetando municípios do Sul do Amazonas, levantou suspeita sobre a responsabilidade das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, situadas em Rondônia. Porém, no Amazonas, especialistas não relacionam a cheia histórica diretamente com as usinas. O nível do rio Madeira chegou a 25,10 metros no início desta semana, mais de dois metros acima da cota de alerta.

“Não tem a ver com as usinas. É um evento histórico, excepcional, de chuvas que caíram nos Andes bolivianos – numa região entre a Bolívia e o Peru. Isso provocou o aumento muito grande do volume de água”, aponta o superintendente regional do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Marco Antônio Oliveira.

Ele coloca apenas que as usinas de Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, em Rondônia, são “a fio d’água”. São usinas que não dispõem de reservatório de água. “Não são como o reservatório de Balbina (no Amazonas) ou Tucuruí (no Pará), que foram construídas com o método convencional, de barramento do rio. Nesse método ‘a fio d’água’, a água está sempre passando pelo reservatório e não tem como regularizar a vazão do rio”, acrescenta o especialista.

A última grande cheia do rio Madeira foi registrada em 1997, quando o nível chegou a 24,58 metros. Para a Defesa Civil do Amazonas, as usinas não influenciaram a cheia. “A grande cheia ocorreu em função das chuvas intensas registradas desde novembro na região das nascentes. Choveu muito acima do normal. Em Rondônia e no Sul do Amazonas também choveu bastante”, assegurou o secretário adjunto do órgão, Hermógenes Rabelo.

O doutor em biologia Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), explica que a cheia histórica e os impactos em Porto Velho e outros locais são duas coisas diferentes. “A quantidade de chuva, principalmente na Bolívia, é o que determina a vazão do rio e o nível de água. É evidente que este aspecto não tem nada a ver com as barragens”, diz.

De acordo com o monitoramento da Defesa Civil do Amazonas, as chuvas que influenciam na cheia do rio Madeira tendem a diminuir a partir dos próximos dias e que a subida das águas tem se estabilizado.