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Cheia do rio Negro sinaliza vazante no Amazonas

Com sinais característicos de início da vazante, vistos em 112 anos no porto, ele deve começar a baixa em duas semanas, segundo previsão do encarregado do Serviço Hidrológico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva

Valderino Pereira da Silva, que mede a cota do nível do rio Negro, em Manaus

Encarregado do Serviço Hidrológico do Porto de Manaus, Valderino Pereira diz que há 99% de certeza de que processo de vazante está para iniciar na região (Arquivo/Jornal A Crítica)

Após atingir a marca de quinta maior cheia da história, o rio Negro deve começar a baixar nas próximas duas semanas. A previsão é do encarregado do Serviço Hidrológico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, que monitora o comportamento do rio Negro há 45 anos. Ele não costuma fazer previsão, uma vez que trabalha com dados exatos, porém, afirmou ontem que há 99% de certeza que a vazante deve começar em breve. “É quase certeza absoluta que o rio vai começar a baixar nas próximas semanas. Ele ficou parado depois subiu só um centímetro e não deve demorar para começar a baixar”, disse.

Conforme Valderino, o rio Negro apresentou vários sinais característicos de início de vazante vistos em 112 anos de monitoramento indicando que chegou ao pico, podendo mudar pouco. Ontem, por exemplo, o rio Negro subiu um centímetro depois de três dias parado e atingiu a marca de 29,47 metros. A cota está 15 centímetros acima da registras na mesma em 2013 quando o rio chegou a 29,32 metros. Comparado à máxima do ano passado de 29,33, o rio ultrapassou 14 centímetros. Para atingir a máxima de 2012, anos da maior cheia, faltam 50 centímetros e 2009, segunda maior cheia, faltam 30 centímetros. Para a máxima de terceira maior registrada em 1953, faltam 21 centímetros.

Segundo Valderino, é improvável que o rio Negro atinja qualquer uma das três marcas este ano. Ele acredita que as influências de chuva e de vazão de outros rios que o Negro poderia sofrer foram registradas e neste momento a atenção se volta para o início da vazante.

De acordo com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), o fim da enchente ocorre costumeiramente em meados de junho ou até o dia 15. Em 112 anos de monitoramento do rio, 76% das cheias na capital ocorreram em junho, 19% em julho e apenas 6% em maio.

Em contrapartida, 43% tiveram o valor mínimo anual no mês de outubro, 35% em novembro, 10% nos meses de janeiro e dezembro e 1% nos meses de fevereiro e setembro.

Embora a cheia deste ano não tenha sido tão grande, em Manaus, em comparação com as anteriores, causou transtornos para a população inundando parcialmente 11 bairros distribuídos pelas Zonas Leste, Sul e Oeste.