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Riquezas amazônicas escondem pobreza dos solos da região

Segundo pesquisa, apenas 14% do solo amazônico é próprio para agricultura. A escassez é justificada devido à acidez do Rio Negro, acarretando na pouca quantidade de nutrientes em cada solo

Floresta de várzea tem mais riqueza de nutrientes de solos

Floresta de várzea tem mais riqueza de nutrientes de solos (Divulgação/PCE)

Estima-se que somente na região amazônica existam aproximadamente seis tipos de solos, que são: Latossolos, Argissolos, Terra Preta de Índio, Solos de Várzea, Solos de Igapó e Nitossolos. Estes solos apresentam diversas particularidades e se diferenciam um do outro pela variação climática, recursos de nutrientes e até mesmo através de resíduos orgânicos deixados pelos antepassados indígenas da era pré-colombiana, como é o caso da Terra Preta de Índio, solo com alto teor de fertilidade e material orgânico.

Segundo o mestre em Sistemas Agroflorestais para Amazônia e coordenador do Núcleo Agroflorestal do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Johannes Van Leeuwen, os solos não são necessariamente determinantes para a boa produtividade de plantações como hortas.

“As plantas precisam principalmente de água e nutrientes. Os solos daqui (Manaus) não têm quase nutrientes devido à quantidade de chuvas que leva todos os nutrientes, porém há solos bem ricos de nutrientes devido a decomposição de materiais orgânicos. Os locais onde temos solos mais férteis estão nas florestas da várzea que depois da época de cheia deixa os solos bem mais ricos em nutrientes”, destaca o pesquisador.

Os municípios banhados pelo Rio Negro, também conhecido como ‘Rio da Fome’, por apresentar um elevado nível de acidez devido a decomposição de vegetais em seu interior, possuem um solo como pouquíssimos nutrientes. Apenas 14% do solo amazônico é próprio para agricultura.

Um fator agravante que torna os solos cada vez mais pobres é o desmatamento. Com este processo as águas das chuvas escoam pelo solo para formar os rios e arrastam uma infinidade de nutrientes, processo conhecido como lixiviação.

“Os municípios banhados pelo rio Negro não apresentam riquezas em seus solos devido a acidez de suas águas e porque ele é composto de areia e argila, o que impossibilita o cultivo de plantações, ao contrário dos rios Solimões e Madeira que apresentam grande quantidade de nutrientes em suas águas, além de haver solos mais ricos nas regiões passando de Presidente Figueiredo”, explica Van Leeuwen.

Alguns projetos ligados ao Programa Ciência na Escola (PCE) trabalham como base os diversos tipos de solos e plantações, e a experiência de envolver a escola junto com a ciência da difusão de saberes.

De acordo com a coordenadora do projeto ‘Coleção de Solos como proposta de aprendizado para o ensino fundamental’, Elane dos Anjos, os alunos puderam ir a campo para realizar pesquisas e descobrir os tipos de solos existentes na região.

“Durante nossas aulas havia poucas informações sobre solos, então começamos aprimorar nossas pesquisas por meio do projeto, levamos os alunos para pesquisas de campo realizando coletas de materiais de solos e assim eles puderam descrever e diferenciar cada tipo de solo, além de implantarmos a consciência ambiental em nossa escola, estimulando a preservação de nossas árvores, o cuidado de tratamento dos solos com o descarte de lixo, queimadas e quaisquer malefício que prejudique ainda mais nossos solos”.

Trabalhar a horta foi a base do projeto ‘A horta na educação alimentar’. Para cultivar os alimentos o primeiro passo foi preparar a terra a ser utilizada.

“A construção de uma horta é para utilizar os alimentos plantados na merenda escolar, o solo presente no terreno da escola era muito pobre e argiloso, assim, tivemos que comprar terra preta adubada para realizar as plantações no canteiro construído, o crescimento da horta só foi possível com ajuda de toda escola, e agora pretendemos utilizar um inseticida natural que ajudará ainda mais em nosso cultivo que já colhemos couve-manteiga, couve, alface e quiabo”, explica a coordenadora Débora Pereira.

*Com informações do Programa Ciência na Escola (PCE/AM)