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Animais órfãos adotam brinquedos para simular aconchego de mãe

Estratégia já era utilizada em outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro e profissionais do Ibama em Manaus aprovaram método. Segundo bióloga, pequenos se agarram ao objeto de maneira única 

A pequena preguiça agarrada a um boneco doado: ao se sentirem confiantes, eles vão deixando contato direto com a pelúcia, assim como acontece com a mãe

A pequena preguiça agarrada a um boneco doado: ao se sentirem confiantes, eles vão deixando contato direto com a pelúcia, assim como acontece com a mãe (Luiz Vasconcelos)

Animais órfãos que são resgatados da natureza estão recebendo tratamento diferenciado para serem reintroduzidos com mais segurança à floresta. Um grupo de biólogos do Instituto Brasileiro de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) descobriu que os filhotes conseguem encontrar, em bichinhos de pelúcia, o mesmo aconchego dos “braços da mãe”.

Diferente dos animais que são resgatados já na fase adulta e que geralmente têm mais dificuldade para retornarem ao seu habitat, a estratégia de uso das pelúcias visa oferecer um futuro normal para a vida silvestre dos animais filhotes.

A analista e bióloga ambiental do Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Ibama, Natália Lima, explica como ocorre essa adaptação. “O filhote precisa do colo da mãe até conseguir andar com as próprias pernas. A gente costuma vê-los sempre agarrados ao colo das mamães. Então, quando eles são separados delas, filhotes ainda, eles sofrem muito. A pelúcia simula uma situação maternal e esses pequenos órfãos se agarram a ela de uma maneira única”, disse.

“Assim como acontece na natureza, na situação em que os filhos desgrudam das mães quando se sentem mais confiantes para andar sozinhos, nós estamos tentando reproduzir a mesma situação aqui. Claro, os ursinhos de pelúcia não substituem a mãe do animal, mas simulam, como se fossem uma mãe postiça” acrescentou Lima.

A estratégia com bichinhos de pelúcia já vinha sendo testada em outros estados, como em centros de triagem de silvestres nos zoológicos do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi através desse estudo que um grupo do Cetas do Ibama resolveu aplicar a ideia aqui, no Amazonas.

Atualmente o Ibama cuida de seis filhotes, desses, cinco usam os bichinhos de pelúcia constantemente, que são: uma preguiça real, um mico-de-cheiro, um macaco parauacu, um macaco prego e um gato mouriço, todos com idades de três a seis meses de vida.

Segundo informações do Ibama, O processo de reabilitação desses filhotes leva em média sete a oito meses. Em caso de onças ou gatos silvestres, o prazo pode levar de oito a nove meses, dependendo da imunidade do animal.

Outros animais

Diariamente o Ibama recebe animais silvestres de todas as idades e todas as espécies. Só no ano passado, foram contabilizados 524 bichos entregues no instituto. A analista conta que, quando o processo de reabilitação acusa que o animal não tem condições de voltar para a floresta, eles são destinados para zoológicos.

“Geralmente quando o animal chega aqui já na fase adulta, é muito raro que ele consiga se readaptar à vida silvestre, na floresta. Nesses casos, eles são enviados para zoológicos que tenham estrutura para recebê-los com o maior conforto, mantendo o contato com o ser humano”, disse.

Lima ressalta ainda que boa parte desses bichos só conseguem sobreviver com a presença de seres humanos. “Às vezes são animais que foram criados por alguma pessoa e, não podendo mais criar, a pessoa devolveu. Nesse caso não é mais possível introduzi-los em floresta”, salientou.

Doe ‘um bichinho a outro bichinho’

A campanha para doação de bichinhos de pelúcia aos filhotes órfãos levados para Ibama começou ainda no ano passado, mas de forma tímida, apenas entre os funcionários do instituto. A arrecadação foi boa, a estratégia deu certo, então o grupo do Cetas resolveu ampliar a ação e começar a divulgação nas mídias e redes sociais.

No último dia 20 de janeiro, a campanha tomou força. Há pouco mais de duas semanas de divulgação, o órgão já recebeu mais de 30 pelúcias, além de lençóis, toalhas e outros objetos.

“A campanha superou todas as nossas expectativas, ouço bons comentários pela atitude. Tem gente trazendo até o que a gente nem precisa e, neste caso, a gente devolve, mas é bom saber que as pessoas estão sendo solidárias. Esses animaizinhos são como crianças abandonadas e muitos conseguem enxergar isso, fico feliz”, afirmou a analista ambiental do Ibama, Natália Lima.

A campanha continua por tempo indeterminado e quem quiser doar, basta dirigir-se a sede do Ibama, na rua Ministro João Galvez de Souza, Km 1 BR-319, Distrito Industrial.

Onça ‘adolescente’ se despede

A onça parda é um dos bichinhos que chegou criança à sede do Ibama. Ela foi encontrada no município de Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus), enquanto um grupo de jovens gravava um documentário, em outubro do ano passado. Durante o tempo que ficou em observação, foi constatado que a pequena não sobrevive na floresta. Há três meses no instituto, a felina, que já entra numa fase de adolescência, se despede do local para viver no zoológico de Volta Redonda, no Rio de Janeiro. O animal será deportado na semana que vem.