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Renúncia do papa

O mundo foi pego de surpresa no dia 11 de fevereiro de 2013, quando o papa Bento XVI apresentou sua renúncia

Por Célio Pezza (*)

Em uma breve exposição de motivos, alegou que suas forças já não são adequadas para exercer adequadamente seu ministério. Disse também que, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário ter vigor do corpo e do espírito, vigor este que nos últimos meses foi diminuindo de tal modo que ele teve de reconhecer a incapacidade para administrar bem o papado.

Com a sua renúncia, a partir de 28 de fevereiro, o trono estará vacante e terá que ser convocado um Conclave para eleição de um novo papa. Notícias sobre uma possível renúncia já haviam circulado em junho de 2011, como uma reportagem feita pelo jornalista Antônio Socci, que apontou rumores nas altas esferas do Vaticano de que o papa iria renunciar durante 2012. Na época, o Vaticano se viu envolvido em escândalos de pedofilia, fraudes financeiras e até lavagem de dinheiro do narcotráfico. Os problemas surgiam uns atrás dos outros e podemos imaginar a pressão que o papa teve que suportar.

Em abril de 2011 saiu uma reportagem sobre declarações da Secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, dizendo que os EUA tinham interesse em ser um aliado do Vaticano. Na época, o Departamento de Estado norte-americano mostrou que o Vaticano poderia ser uma potência aliada ou um inimigo ocasional e que os embaixadores e diplomatas norte-americanos deveriam mostrar à cúpula da Igreja que a política do país poderia ajudá-los a avançar em muitos princípios.

Os EUA consideram o Vaticano um Estado muito forte, pois com seus mais de 400 mil sacerdotes, relações diplomáticas com praticamente todos os países do mundo, mais de três milhões de escolas e seu poder persuasivo, é o parceiro ideal para uma união Igreja-Estado, como já houve no passado.

Seguindo a mesma linha, o Conselho Pontifício Justiça e Paz, liderado pelo cardeal africano Peter Kodwo Turkson (seria o novo papa?), elaborou um documento onde diz que uma reforma do sistema financeiro internacional, através de uma autoridade de competência universal, poderia apresentar propostas concretas para resolver o problema de crises econômicas e sociais que afetam o mundo. Os que se recusarem a se alinhar com esta federação político religiosa serão dissidentes e excluídos do processo. O não participar significa não comprar e não vender; significa estar excluído e perder seu trabalho e sustento. É a globalização a serviço de uma minoria politico religiosa.

Bento XVI se pronunciou por diversas vezes contra o sistema econômico atual, contra uma globalização onde os ricos ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. O papa sofreu pressões de fora e de dentro do próprio Vaticano. Se não alinhado com essas pressões, seu papado fica insustentável e uma renúncia bem previsível. Vamos aguardar a eleição do próximo papa e sua postura em relação a este tipo de aliança. Passamos por tempos difíceis e devemos estar atentos a estes movimentos calculados que podem nos levar a um mundo mais justo ou ao caos total.

(*) Célio Pezza é escritor e autor de diversos livros, entre eles:  As Sete Portas, Ariane, A Palavra Perdida e seu mais recente, A Nova Terra - Recomeço. Saiba mais em www.celiopezza.com

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