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9 comentarios | 10 de Julho de 2014

Espanha, terra cheia de flores

Pesquisei em diversos lugares, mas não consegui descobrir que canção era essa que minha avó costumava embalar meu sono...

As flores de Espanha

As flores de Espanha

Só agora resolvi buscar na internet a letra da canção que desde criança (de berço!) ouvia minha avó Maria del Carmen cantar para mim. E foram tantas e tantas noites, naquela rede regional de embalar, no segundo andar (onde ficava o seu quarto e o de meu avô Elias, o Quequé) da casa da rua Jonathas Pedrosa, que ela cantou para mim e depois para meus irmãos, para ninar nosso sono. Sono perfeito. Sono de vó. O que eu queria mais?

“España, tierra llena de flores. España, tierra de mis amores.” Todos os dias ela cantava e deixava em mim a vontade de conhecer essa terra cheia de flores e essa gente de sotaque carregado que adora embalar o sono dos netinhos. E eu procurei e procurei... E o Google nada! Procurei, procurei... Google? Nada! Seria então alguma canção galega, da Galícia, região onde nasceu? Pesquisei novamente nas páginas galegas, mas nenhum êxito obtive. Acho mesmo que foi criada por ela, para ninar meu sono... Coisa de vó. O que eu queria mais?

Minha avó Maria Carmen cantava a Espanha em flores

Sotaque carregado

Acontece que depois de sua morte, no último 16 de junho, essa canção não sai da mina cabeça. E é a Espanha, terra cheia de flores, que embala meu sono em saudades e vontade de ouvir novamente sua voz de sotaque carregado, voz que nunca mais esquecerei e que me fará procurar, pelos cantos do quarto, nas minhas noites de insônia, de onde estará saindo aquela voz-suave-de-meu-afeto. Uma voz-cheia-de-flores...

Lembro-me também da índia... “Índia, seus cabelos nos ombros caídos, negros como a noite que não tem luar...” A música Guarânia, gênero musical paraguaio fez sucesso aqui nos anos 1950, era uma das poucas acredito que vovó sabia de cor, entre um deslize e outro do sotaque galego. E foi essa “índia” que me acompanhou até os dias de hoje de minha vida.

Ela me levou pra Toledo nos anos 1980

Jardim em vida

Essa índia galega soube encantar. Encantou-me tanto, de tantas maneiras. Mostrou-me a Espanha-cheia-de-flores, ensinou-me a falar espanhol – comprou-me revistas, livros, e a cada palavra que eu desconhecia ela me explicava, como a própria professora de idiomas, a melhor que eu tive, que imito até hoje, tanto no sotaque quanto no amor por seu país – levou-me a cinemas, aos teatros, a shows de flamenco, ao Museo del Prado... Com ela conheci a Puerta del Sol e a Puerta de Alcalá. Com ela fui visitar El Escorial, Toledo, Salamanca, Aranjuez, Ourense, Santiago de Compostela...  

Realmente, minha avó foi um jardim em vida. Posso até dizer, com licença poética, que as flores nascem de minha avó. Em seu funeral, eram tantas flores, mais de vinte coroas lindas e coloridas em sua homenagem, que neste momento eu tive a certeza: minha vó nasceu das flores e foi embora com elas. Tenho certeza, que só na Espanha nascem flores como ela. Flores que cantam, flores que encantam, flores que enfeitiçam, flores que ninam, flores que dizem, em sotaque gallego carregado, que é hora de dormir...

***

Vó, sei que sua alma nunca estará longe de mim, apenas a matéria, esta efêmera coisa. Mas asseguro-lhe: em todas as flores do mundo eu só verei você, minha “Espanha, terra cheia de flores...”

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