Posso trabalhar 100 anos com o noticiário esportivo e não vou entender qual é a lógica que entra em campo quando assunto é dinheiro. Nos últimos dias a palavra especulação toma conta dos sities, jornais, programas de televisão, redes sociais, barzinhos e todo e qualquer lugar onde o assunto possa ser discutido.
Pato no Corinthians, Robinho no Santos ou no Flamengo, Montillo ao lado de Neymar na Vila, Conca no Fluminense ou no Flamengo. Fulano estudando proposta, empresário oferecendo seus “craques”, cartola prometendo ao torcedor um reforço de peso. Só tem uma coisa: de onde vem tanto dinheiro?
Pato vale hoje R$ 42 milhões e o Corinthians resolveu comprar. Se você pudesse escolher entre um carro da Ferrari que a cada dois quarteirões fica no prego, e um modelo nacional aprovado na revisão, sinceramente, o que faria? Campeão do mundo, da Libertadores, melhor time do Brasil, o Timão resolveu apostar sua grana num jogador bichado. Pato já teve contusão em todos os músculos, tem dor nas costas, foi reprovado no exame de renovação da carteira de habilitação e, brincadeiras à parte, acumula 12 lesões no Milan. Vale mesmo R$ 42 milhões?
Robinho é o sonho de consumo de Flamengo e Santos. Aquele que saiu à força da Vila para ser o melhor jogador do mundo, aquele mesmo que naufragou no Real Madrid, na Seleção e agora, no Milan, até aceita voltar, desde que receba R$ 1 milhão por mês, limpinhos de impostos. Jura que tem gente querendo pagar?
Pra encerrar, a loucura das loucuras. A nova diretoria do Flamengo foi eleita prometendo uma nova era no clube. Criticou a gestão anterior por ter acumulado dívidas, por não pagar as contas, por promover o caos na Gávea. E agora tenta contratar Conca. O ídolo do Fluminense, um dos jogadores mais bem pagos do mundo. Para realizar o feito, tem de pagar a bagatela de R$ 24 milhões aos chineses e mais R$ 1 milhão de salários para fazer o argentino dar uma banana aos tricolores.
Bem, como escreveu Augusto Cury, de gênio e louco todo mundo tem um pouco. Certamente a parte genial não é aquela que administra o dinheiro dos clubes.