Faz um ano.
Estava em Recife, aguardando meu voo.
Um turista estrangeiro sentado ao meu lado me pediu licença e fez uma pergunta.
“Posso tirar uma dúvida contigo?”
Meio que surpreso, por aquele sotaque tão particular, acenei positivamente com a cabeça.
E lá veio ele: “O que quer dizer a palavra saudade?”.
Logo de imediato tentei resgatar uma tradução para o inglês.
Lembrei, não existe.
Pensei um pouco mais e formatei uma explicação.
“Saudade é algo que sentimos quando desejamos muito ver alguém”.
Ele, com cara de ponto de interrogação, constatou:“Ah, então sentimos saudade, quando uma pessoa não está ao nosso lado?”
Respondi: “Sim, também”.
E completei: “Quando lembramos, com bons olhos, de uma situação que aconteceu no passado, podemos sentir saudade também”.
Dá para imaginar a cara de dúvida do Gringo.
Passei então a detalhar a explicação: “Sempre que algo ou alguém que nos fez ou nos faz bem, está no passado ou longe de nós, sentimos saudade”.
Ops...
Não precisou muito para constatar que o entendimento dele está cada vez pior.
Como engenheiro que sou rs rs, pedi um papel rs rs...
Mas o que iria fazer com ele?
Desenhar saudade?
Coisas de engenheiro rs
Na verdade, passei a torcer para que ele fosse embora.
Foi quando uma Sra. ao meu lado, ao notar o meu “desespero”, me interrompeu e disse.“Saudade não é algo para ser explicado e sim para ser sentido. O seu coração irá definir isso”.
O gringo deu um largo sorriso e com a cabeça sinalizou que tinha entendido.
Agradecido pela ajuda, me virei a Sra. e quando fui lhe dirigir a palavra, ela me interrompeu e disse:“Há coisas que não podemos entender tão pouco explicar, e está justamente aí a sua grandeza e relevância”.
Ela se despediu com um beijo e partiu para o seu voo.
Jamais voltei a vê-la.
Bem que pode parecer apenas uma cena comum do dia a dia de qualquer aeroporto.
Ou talvez apenas um causo de quem está com saudade de alguém ou de algo.
Mas a verdade mesma é uma só.
Já faz um ano... e como é difícil colocar no papel a extensão desta saudade.