Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

  • EM DESTAQUE

5 comentarios | 17 de Março de 2014

Fast Food

Crônica das terças-feiras do Caderno Bem Viver!

O barulho provocado pelo tucumã pode ser tão fino quanto sua polpa!

O barulho provocado pelo tucumã pode ser tão fino quanto sua polpa!

Ainda na faculdade de Comunicação, há 25 anos, li um artigo em uma revista especializada que nunca me saiu da cabeça. O texto tratava da tendência à rapidez e à superficialidade da informação. E utilizava como exemplo uma matéria televisiva de um minuto e meio que tinha como pauta o aborto no mundo. Como é que se fala de um tema tão complexo, numa abrangência tão grande, em tão pouco tempo?

Naquela época não havia internet, nem celular, muito menos microblogs com 140 caracteres. Nos limitávamos a recursos como o telex e o telegrama – com mensagens maiores que as veiculadas atualmente nas redes sociais. De lá pra cá, o que era uma tendência se tornou uma realidade. Lendo alguns jornais diários, tenho impressão que a matéria inteira se resume ao título, ao subtítulo e à ilustração.

A verdade é que não há genialidade, ou poder de síntese, capazes de substituir a riqueza da informação detalhada. E a profundidade de um pires de café com que tratamos os fatos, seja na mídia formal, seja nas redes sociais e ferramentas de internet, gera uma democracia da ignorância. Nossas opiniões e atitudes se baseiam em duas ou três palavras de efeito. E todo mundo só fala sobre aquilo, sem se importar com a qualidade e os efeitos da mensagem expressa.

Foi assim que o desaparecimento do Amarildo borrou o trabalho da polícia pacificadora no Rio. Os policiais foram alçados ao papel de bandidos e os traficantes aos de mocinhos – como se os traficantes nunca tivessem matado um inocente. O desaparecimento do Amarildo foi um crime, sim. Mas não é a síntese das UPPs. Como somos superficialmente mal informados, fica tudo junto e misturado. E nessa leva também passamos a odiar a seleção inglesa, a achar que as embalagens de Coca Cola trazem ratos...

Na semana passada nos vi vociferando aos quatro cantos, nas redes sociais, que temos orgulho de sermos descascadores de tucumã e comedores de peixe. Tenho minhas dúvidas, se realmente temos todo esse orgulho, ou se a grande maioria não prefere mesmo é um hambúrguer. E se isso não é mais um fenômeno superficial e imediato. Temos tanto orgulho que sequer nos importamos com o preço do quilo da polpa do tucumã! E não estamos nem aí se, apesar de toda a riqueza hidrográfica e a diversidade da fauna aquática, ainda importamos peixe. É o que chamo de orgulho fast food!

sobre este blog

Blog do Orlando

Sexta cidade mais rica da sétima economia mundial, Manaus, que já ostentou o título de "Paris dos Trópicos", se vê a braços com os problemas de uma grande cidade. Hoje, mais para "Bagdá Equatorial", ela procura soluções para suas questões urbanas, sejam físicas, sejam de propostas de futuro. Estamos nela, falaremos dela!

calendario de entradas

<Anterior Próximo>
outubro 2014
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5
6 7 8 9 10 11 12
13 14 15 16 17 18 19
20 21 22 23 24 25 26
27 28 29 30 31