Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

  • EM DESTAQUE

0 comentarios | 21 de Julho de 2014

Flash-Back Manauara

Crônica das terças-feiras do Caderno Bem Viver!

O processo desenvolvimentista desconstruiu as raízes da cidade.

O processo desenvolvimentista desconstruiu as raízes da cidade. (Orlando Câmara)

Domingo, sentado na Matriz, esperando a hora da missa, lembrei que logo ali em frente trabalhava meu tio-avô, o seu Rio Branco. Ele era funcionário do J. G. Araújo. O local era enorme, com divisórias baixas, em madeira, de forma que se via todo o salão, semelhante às modernas plataformas de trabalho. Ao lado, havia uma galeria, que atravessava da Eduardo Ribeiro para a Marechal Deodoro. Tudo há menos de 40 anos.

Se caminhássemos um pouco mais, em direção ao Porto, ainda na Praça, encontraríamos o Aviaquário Municipal, e os fotógrafos lambe-lambe por perto. Atravessando a rua, em direção à Governador Vitório, havia um supermercado, que eu chamava de Butz (na verdade a Booth Line), onde sempre íamos comprar chocolates e biscoitos importados.

Fiquei pensando como 40 anos, que parece ser tão pouco tempo, foi suficiente para destruir tudo aquilo! Hoje, só há ruínas. Lembro também que gostávamos de ver televisão, as coisas que eram feitas aqui. Eu assistia ao “Ciranda Cirandinha” e ao “AS nos Esportes”, na TV Ajuricaba. E também gostava de ver o telequete na tv, ou no Olímpico, ao vivo.

Aquela, a de 40 anos atrás, era uma Manaus de pouco mais de 350 mil habitantes. Mas o processo desenvolvimentista instaurado pela Zona Franca nos tornou a sexta cidade mais rica do País, com quase 2 milhões de moradores. De acordo com o censo populacional de 2010, Manaus foi a cidade que mais cresceu, entre as grandes cidades brasileiras. Crescemos! E muito! Mas será que enriquecemos?

Ganhamos muitos shoppings, conjuntos habitacionais populares, longe à beça e prédios de altíssimo luxo, onde quase ninguém pode morar. Mas a cidade destruiu e destrói seus lugares históricos e suas grandes áreas de convivência. Talvez nos reste somente a Ponta Negra! E construiu um ambiente urbano feio, invadido, mal acabado, que acentua as diferenças socioeconômicas.

Celebramos a prorrogação da Zona Franca, e com razão. Sem ela não conseguiríamos sobreviver. Mas que tal pensarmos agora que precisamos, mais que sobreviver, viver? Talvez seja a hora de toda essa riqueza, que bate constantes recordes, começar a ser distribuída pela cidade. Por que hoje ela ainda serve a muito poucos.

sobre este blog

Blog do Orlando

Sexta cidade mais rica da sétima economia mundial, Manaus, que já ostentou o título de "Paris dos Trópicos", se vê a braços com os problemas de uma grande cidade. Hoje, mais para "Bagdá Equatorial", ela procura soluções para suas questões urbanas, sejam físicas, sejam de propostas de futuro. Estamos nela, falaremos dela!

calendario de entradas

<Anterior Próximo>
dezembro 2014
S T Q Q S S D
1 2 3 4 5 6 7
8 9 10 11 12 13 14
15 16 17 18 19 20 21
22 23 24 25 26 27 28
29 30 31