Desde moleque assisto aos desfiles do carnaval carioca. Naquela época eu pensava em crescer e ir à Sapucaí. Cresci, fui inúmeras vezes e continuo audiência deles no domingo e na segunda-feira gorda. Hoje, tenho outro sentimento ao vê-los. Penso em como menosprezamos nossa capacidade criativa. Em como jogamos oportunidades fora. Nossos melhores artistas de alegorias e adereços estão lá. Alguns de nossos figurinistas também. Saem de Parintins todo ano para trabalhar nos carnavais carioca e paulista. Colaboram diretamente com o sucesso da festa, que gera para a cidade do Rio de Janeiro R$ 1,2 bilhão. E nós, aqui?!
Trabalhei durante os três dias de carnaval das escolas de samba de Manaus, lá no Sambódromo. A despeito de todas as confusões, desde a impossibilidade de receber verbas públicas, ao corte do fornecimento de energia elétrica nos barracões, às vésperas do evento, vi um grande carnaval. Feito por uma gente guerreira e talentosa. Ouvi sambas, nas escolas do grupo B e Especial, que eram tão bons quanto aqueles das agremiações cariocas. Percebi genialidade, ritmo, criatividade e uma série de outros adjetivos. Mas parece que nada disso tem valor.
Talvez tenha no dia em que eles saírem daqui e fizerem alguma coisa para colaborar em outras cidades. Estamos cegos! Não enxergamos a chance de novos empregos, de geração de renda, nem mesmo de divisas através do Turismo. Todo ano é a mesma coisa. Promessas de investimento e um carnaval de superação. Parece que a promessa não tem data certa e que a superação dura décadas. Quanto Manaus poderia ganhar com o seu carnaval?
Mas nada disso importa. Às favas com o carnaval! Investir pra que? Ou pra quem? Já estamos acostumados a jogar oportunidades fora para muito além do carnaval. A temporada de cruzeiros em Salvador deverá gerar, em 2013, R$ 48 milhões de receita. O Amazonas também tem a sua temporada de cruzeiros, todos eles vindo do exterior. E parando aqui e em Parintins. Quanto faturamos com isso? Basta olhar para os portos, manauara e parintinense, para se perceber o tamanho do foco que temos no lucro.