Observo a cidade e percebo que tudo o que temos de belo no espaço público é muito antigo! O Teatro Amazonas, o Porto de Manaus, as praças... Dos espaços urbanos de uso comum, aquilo que é realmente bom de olhar, de contemplar, de caminhar próximo, ou através, foi construído em grande parte antes de 1960. Nem o 6º PIB nacional, nem o faturamento do pólo industrial, que supera a faixa dos R$ 60 bilhões ao ano, foram capazes de nos assegurar uma cidade mais bonita.
Talvez os parques urbanos sejam exceção a essa regra: Complexo Ponta Negra e parques do Mindú e Jefferson Péres respondem por obras atuais e das mais agradáveis aos habitantes de Manaus. Talvez a Ponte Rio Negro. Bela de olhar de longe ou de cima. De perto, as estacas de sustentação dos pilares são aparentes. Talvez o Prosamim. Ele saneia a paisagem urbana à vista de todos. E proporciona algumas belas obras pontuais. Mesmo assim é pouca beleza contemporânea para tanta cidade que temos. Tão pouca que dá para contar nos dedos de uma das mãos.
Se sairmos do espaço público, constataremos que a moradia manauara mudou, se verticalizou. Há prédios imponentes, residenciais e comerciais. Casas surpreendentes, em condomínios fechados. Talvez pudéssemos citar o Tropical Hotel como uma intervenção bonita. Todos na esfera das propriedades privadas. Mas o espaço público não se qualifica e surgem conjuntos residenciais populares e bairros inteiros nada agradáveis, sem arborização, de ruas estreitas e com calçadas mínimas. E o que dizer das praças públicas? Públicas ou de alimentação?
Se, por um lado, a riqueza industrial foi ineficaz ao espelhar sua abastança em marcos contemporâneos, que embelezem a cidade e sirvam de orgulho à alma manauara, por outro, ela também não conseguiu manter o pouco que temos. Os prédios de interesse histórico estão, na maioria, em estado lastimável. Pouco se pensa a cidade em termos de harmonia e beleza para os seus cidadãos. Parece que não merecemos. Parece que toda a riqueza produzida na cidade não tem qualquer relação com o espaço público. Enquanto isso, na rotatória do Mindú...