A Constituição da República Federativa do Brasil completará 25 anos. Promulgada em 5 de outubro de 1988, ela sucedeu o Golpe Militar, que governou o País de 1964 a 1985. O primeiro passo foi a retirada dos militares do poder, com a eleição, no Congresso Nacional, de um civil, Tancredo Neves, para presidente do Brasil. Naquela eleição, o opositor de Tancredo e candidato do partido que apoiava os militares foi Paulo Maluf. Precisávamos, como segundo e definitivo passo, de uma nova lei, que reestabelecesse a democracia e que apontasse os princípios que regeriam a República dali em diante.
No ano seguinte, 1989, a nova constituição veria seus frutos brotarem e se realizar a primeira eleição direta a presidente da República em 25 anos. E elegeríamos presidente um governador nordestino famoso por suas bravatas. E por caçar “marajás”, gente que enriquecia ilicitamente, através de dinheiro público. Estranhamente, Fernando Collor, o bravateiro caçador de marajás, sofreu um impeachment dois anos depois, por corrupção. Em 1985, quando da eleição no Congresso Nacional, Collor não votou em Tancredo, que representava a luta pela democracia, mas em Maluf. Tomou posse no lugar de José Sarney, que havia ocupado a vaga de Tancredo, adoecido seriamente às vésperas da posse. O segundo colocado naquela primeira eleição presidencial direta, ferrenho opositor de Collor, obteve 44,23% dos votos. Tratava-se do ex-sindicalista e deputado federal por São Paulo, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores. De lá pra cá, elegemos presidentes Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ambos por dois mandatos. E Dilma Roussef, do PT.
Decorridas duas décadas e meia, a Constituição de 1988 tem 71 emendas. Fernando Collor é Senador, Presidente da Comissão de Infraestrutura do Senado. José Sarney também o é. Paulo Maluf é Deputado Federal, recentemente condenado, pela justiça da Ilha de Jersey, a devolver R$ 57,9 milhões à Prefeitura de São Paulo. E os três são da base governista. Maluf foi um dos maiores aliados à eleição de um prefeito petista na capital paulista. O tempo passa. Alguém precisa contar essa história direito.