Lembro muito claramente na minha época de estudos para vestibular, que o grande terror da maioria dos alunos era a redação. Algumas pessoas travavam ao ter que escrever sobre um tema, a ponto de entregar a folha em branco. Soube até de um caso – não sei se era verídico – de um vestibulando que não sabendo o que expressar, tascou “tic-tac” do início ao fim. O tema era “O relógio”. Diz a lenda, que o sujeito passou na prova, pela criatividade e despojo da redação.
Algumas pessoas nascem com determinados dons, e a arte de escrever talvez seja um deles. Assim como uns conseguem tirar melodias apenas pelos ouvidos, e outros possuem a maestria de falar em público, colocar palavras em um papel também é uma das artes mais admiráveis. Mas, a notícia boa disso tudo, é que, quem não tem a sorte de nascer com algumas habilidades, podem adquiri-las ao longo da vida. É claro que o nível de dificuldade será maior.
Diferencial no emprego
Alguns dons são irrelevantes para o seu dia a dia, mas outros podem fazer a grande diferença na hora de se conseguir um emprego. E escrever bem, com clareza e assertividade, pode contar pontos preciosos na disputa por uma vaga e promoção.
Por experiências próprias, de cada 100 redações de candidatos a emprego, mais de 50 causam arrepios, principalmente nas palavras erradas. Trocam s por z, ss por ç, sem falar na falta de concordância verbal e organização das ideias.
Umas 48 redações, ficam no básico, ou seja, não existem erros de português, mas seguem a linha de estória infantil, típica das que iniciam com “era uma vez...”. E apenas 2, conseguem chamar atenção pela forma de expressão diferenciada.
Um dos pré-requisitos básicos para se comunicar bem através das palavras, é praticar à exaustão a leitura. Ler, principalmente livros, revistas e jornais, ajuda em muito a estimular a mente, a organizar as ideias, frases e palavras. E o básico: Não escrever errado. Se a leitura fosse mais estimulada em nosso país, talvez não teríamos tantas aberrações de pessoas confundindo e trocando palavras como: mais por mas, a gente por agente, e por aí vai. A exposição nas mídias sociais, deixa claro, quem possui o mínimo de cultura em relação a nossa língua nativa.
Palavras com imagens
Ter conhecimento ou inteligência, não quer dizer que você vai ser um exímio escritor ou orador. Para isso, basta lembrar os professores extremamente técnicos e QI perceptivelmente mais elevado que os demais, e que nos faziam cochilar em suas aulas. As melhores exposições eram dos instrutores que conseguiam aliar criatividade e analogias à vida prática. Os melhores escritores são aqueles que conseguem criar imagens na cabeça dos leitores, de forma que, as palavras possam se transformar em um filme imaginário em suas mentes.
O mais frustrante é perceber que pessoas graduadas, cuja profissão depende diretamente da escrita, não possuem um mínimo de conhecimento gramatical. Entre eles estão advogados, jornalistas, publicitários, e pasmem, até professores. Salvam se poucos. No mundo do jornalismo, dizem que, se possui uma boa redação, vai trabalhar em jornal. Se tiver uma boa dicção, vai para rádio e TV. E se tiver os dois? Bom, nesse caso, que são raríssimas exceções, Jô Soares explica.