Os desafios da reinvenção para as organizações e profissionais no mundo atual, é apenas um dos inúmeros quesitos que todos enfrentam dia após dia na extasiante jornada de trabalho. O constante discurso de que não existe emprego por um lado, e que não há mão de obra capacitada pelo outro, mantém o constante conflito entre empresários e empregados.
Vamos aos fatos. Recentemente criamos através da nossa empresa de consultoria, um serviço denominado “Central de Talentos”, que consistia em uma espécie de linha de produção, na seleção de funcionários para grandes redes de varejo e serviços. Montamos uma equipe que passava o dia todo triando currículos, aplicando testes e selecionando possíveis talentos.
Estatística desanimadora
As estatísticas nos deram números surpreendentes e dasanimadoras. De aproximadamente cem candidatos, dez eram selecionados para a entrevista final na empresa. Dos dez, apareciam cinco, pois a outra metade desistia. Dos 50% que ainda tinha um possível interesse em se empregar, três eram aprovados. Desse grupo, comparecia apenas um para iniciar o desafio. E por fim, essa “pérola” desistia após três dias de labuta. Resumo da ópera: De cem desempregados, não conseguimos empregar nenhum. Triste realidade da força de trabalho brasileira. Abortamos o programa, mas ainda não desistimos. Vamos testar um projeto piloto denominado “Talento Big Brother” com uma empresa parceira. Selecionaremos cinco finalistas, que serão testados em provas comportamentais durante duas semanas. Passarão por treinamentos, dinâmicas de grupo, desafios de resultados, trabalho em equipe, pontualidade, disciplina e testes de conhecimentos. No final, sobreviverá somente o mais preparado, e que esteja disposto a enfrentar a árdua missão do trabalho. Os “fracos” infelizmente pedirão para sair. Já fiz essa experiência no passado, quando da minha passagem por uma cervejaria em Manaus; e o projeto servia para selecionar talentos e corajosos para a área comercial. Dos que “sobreviveram” ao programa, alguns atualmente são gerentes que comandam grandes empresas em Manaus. É a força de vontade e determinação que levam as pessoas à cargos mais elevados na carreira profissional. Não existe vitória sem sangue, suor e lágrimas. Mas por que essa é a realidade brasileira? Primeiro, porque a maioria dos jovens se preocupam muito mais em quanto vou ganhar, do que, em quanto vou aprender. É a ambição do crescimento rápido, característica marcante da geração Y. São poucos os relatos de profissionais que começaram como Office boy – hoje talvez chamado de menor aprendiz – e chegaram a presidência da empresa. Parece ser algo nostálgico esse tipo de história.
Seguro desemprego
A segunda justificativa é que a lei brasileira protege os improdutivos. Infelizmente, a “indústria do seguro desemprego” permite que o profissional fique recebendo por um período, após 6 meses empregado. Ou seja, após essa fase semestral, existe uma pressão para ser demitido. Em suma, trabalha-se 6 meses, e descansa outros 3. Triste realidade, que indiretamente impacta no nosso “pibinho”, que apresentou crescimentos decimais no último ano. Diante dos fatos, empresários do comércio entram em desespero, pois não conseguem formar cultura e equipes, em função da alta rotatividade de colaboradores. Parece todo dia carregar uma enorme pedra montanha acima, e quando chega o final da jornada, desce com ela, e no outro dia, começa tudo novamente. O desafio do crescimento do negócio, depende em muito, de mão de obra que queira realmente produzir. Trabalho existe, mas, infelizmente pelo que parece, as pessoas querem apenas emprego. Habemus trabalho.