Em um mundo onde tudo muda de uma forma muito rápida, o desafio principalmente para as empresas é buscar a reinvenção todos os dias. O que é bom hoje, com certeza não servirá para mais nada amanhã. As empresas que fabricam bens de consumo que envolve tecnologia, são as que estão mais em estado de alerta. Basta um cochilo, e se “perde o bonde”. O segmento de aparelhos celulares que antes era da Motorola, que depois passou para o modelo Blackberry, que por alguns anos foi da Nokia, e que hoje é da Apple e da Samsung, é uma prova real de como a inovação pode ser o maior diferencial das organizações. Essas alternâncias de lideranças aconteceram em um espaço menor a dez anos.
Passados aproximadamente um ano e meio da morte de Steve Jobs, a Apple apesar de continuar vendendo muito, tem suas ações em queda e perde seu valor de mercado. A marca que antes do desaparecimento de seu criador era sinônimo de inovação, sinaliza que está perdendo esse título para a sua concorrente coreana. Os últimos produtos não são condizentes com as surpresas que o seu criador gerava a cada lançamento. O Mini Ipad foi para as lojas, após a Samsung já ter um modelo do mesmo tamanho no mercado. E a imprensa já noticia que o próximo modelo Galaxy S IV a ser apresentado dia 14 de Março, vem com uma tecnologia que permitirá o usuário mudar as páginas da web somente com o olhar. Mas por que essa virada de mercado em tão pouco tempo, e a empresa mais admirada pela inovação está ficando para trás? Os livros especializados ensinam que criatividade é uma junção de várias idéias de um grupo de pessoas, que produzem protótipos e contra protótipos, para finalmente chegar a um produto final. Pelas inúmeras biografias lançadas após a morte de Jobs, ficamos sabendo que na “maçã” não era assim.
Brilhantismo único.
A mente brilhante pertencia somente a Steve, que simplesmente “mandava” seus subordinados a criar algo que saía da sua cabeça de gênio. E a forma de liderança era meio que ditatorial, gerando inclusive constrangimentos e desmotivações na equipe. Esse modelo de criatividade é competitivo apenas quando o dono da cabeça inovadora está em vida. E pessoas com essa capacidade são únicas, e pelas estatísticas nascem uma a cada século. São mentes comparáveis a Newton, Einstein e outras inteligências tão conhecidas pelas descobertas que revolucionaram a humanidade. Na Apple, o criador era mais forte que a sua própria empresa; e com a sua morte, a inovação e o valor da marca perdeu força. Se por trás da “maçã mordida” estava Jobs, quem está por trás da Samsung? Esse detalhe, é o maior diferencial competitivo da gigante coreana. O valor agregado está na marca e não em uma pessoa. Em organizações de tecnologia como Google, Microsoft e Asus, os colaboradores são valorizados ao máximo, e até a forma de trabalho e o ambiente, são quebras de paradigmas do modelo tradicional. Em processos de criatividade, o grupo vale mais do que uma idéia isolada. Não há nada que não possa ser melhorado.
Tolerância ao erro
Em empresas com essa mentalidade, a tolerância ao erro é altíssima, e faz parte do dia a dia. Organizações com gestores perfeccionistas não conseguem ser criativas, pois não entendem que o “mais ou menos” é um dos degraus para a genialidade. Se lembram dos primeiros aparelhos de celulares “tijolos” da Motorola? Ou dos enormes computadores que ocupavam uma sala inteira? E para não ir muito longe no tempo, os antigos televisores de tubo que enfeitavam – ou enfeiavam? – as nossas salas?
Para criarmos algo melhor, não se consegue ir do zero ao cem em uma única passada. Empresas em que os colaboradores “morrem” de medo de errar, nunca serão inovadoras. A não ser que o “dono” seja um Jobs da vida.