Menos do que se imagina, têm sido frequentes, sobretudo no segmento empresarial, as afirmações de que os incentivos que o Governo vem concedendo ao consumo com o propósito de estimular o crescimento do país por esse caminho é um processo que está se exaurindo, sendo necessária, agora, a adoção de medidas que, invés de incentivar o consumo, privilegiem mais o investimento. E essas medidas devem ser colocadas em prática com urgência, de modo que o crescimento do país, neste 2013, não volte a decepcionar, como ocorreu quando apurados os números do ano recém-findo.
De fato, com um PIB girando em torno de 1% no ano passado, o Governo terá que trabalhar dobrado, sobretudo porque a inflação oficial, no mesmo período, ficou acima dos 5,7%, número mais de um ponto percentual acima do centro de meta estabelecida de 4,5%, embora ainda dentro do intervalo de segurança que é de até 6,5%. A perniciosa combinação crescimento baixo com inflação alta coloca em xeque qualquer Governo, tornando-o vulnerável, especialmente no campo político.
Assim, é quase certo que, por isto, várias autoridades governamentais, com destaque para aquelas ligadas às áreas da Economia e do Planejamento, têm se apressado em vir a público informar que o Governo Federal, neste ano, tem o propósito de aplicar mais de R$ 189 bilhões em Investimentos, conforme explicitado na peça orçamentária ainda pendente de votação no Senado. PAC, Saúde, Educação e Programa Brasil Sem Miséria, que representam os grandes eixos de atuação do Governo, foram contemplados com as somas mais expressivas. Os recursos disponibilizados para o Programa de Aceleração do Crescimento estão praticamente atrelados a obras de infraestrutura, como portos, aeroportos, ferrovias e programas habitacionais.
É uma boa notícia, mas não pode ficar apenas nos registros das tabelas orçamentárias. Ano passado, por exemplo, o Governo Federal utilizou apenas 25% do que estava previsto para Investimentos. Conquanto os R$ 46,9 bi gastos em 2012 tenham sido 5% maior que o valor despendido em 2011, a inflação no período tornou nulo este aparente acréscimo.
Quando Empresários e Investidores percebem que o Governo está imbuído do firme propósito de investir em setores que possibilitem melhorar as condições sócio-econômicas do país, com reflexos na vida da população, eles são estimulados a também investirem suas economias em novos, seguros e rentáveis negócios. O público e o privado, assim, juntos, acabam descobrindo-se parceiros, embora cada segmento persiga seus objetivos. Essa parceria, lúcida, com cada ente cônscio do seu papel no processo, se constitui no motor do desenvolvimento econômico e contribui para que o país obtenha taxas de crescimento mais expressivas.
Luiz Damasceno