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1 comentarios | 04 de Agosto de 2014

Seu filho é o que você faz dele

Um artigo sobre o imbecil do pai que jogou seu filho na jaula de um pobre tigre em cativeiro me inspirou a escrever isso sobre obediência e rotina. Eu estou morrendo de pena do garoto, desobediente por culpa do pai, claro, de quem mais? É tipo aquele menino gordo que chega no consultório da médica com pai destilando o seguinte absurdo: “Eu não sei porque ele é gordo”. Como não sabe? É o garoto que faz o supermercado e enche o carro de biscoito e salgadinho?

Menino atacado por tigre

Menino atacado por tigre

Eu sou teimosa por natureza e minha filha já começou, na tenra idade de 6 anos, a questionar minhas ordens de tomar banho, escovar os dentes, ter pouco tempo para televisão e hora certa para subir do parquinho ou da piscina para tomar banho, comer e dormir. Para teimosas por natureza, como eu e ela, nada melhor que uma mãe general. Minha filha às vezes responde assim às minhas ordens: “Sim, capitão”.

Mas eu não sou militar todo dia: adoro buscá-la na escola e sair para o cinema ou lanchar no shopping no meio da semana e quebrar a rotina. Só acho que, no dia a dia, toda criança precisa de rotina. Para se sentir segura. Para aprender a obedecer. Eu aprendi. E se eu aprendi, qualquer um pode...

Eu li muito sobre isso quando grávida, sobre a importância da rotina. E impus rotina à minha bebezinha em tudo desde cedo (hora de mamar, hora do cochilo, do passeio, de dormir à noite). Por exemplo, tenho certeza que o fato de ela sempre ter dormido bem a noite toda é o fato de dormir sempre no mesmo horário e acordar cedo até aos domingos. Aliás, domingo é que a gente gosta mesmo de acordar cedo, para poder aproveitar o sol, a piscina, o parque.

As duas coisas andam juntas: a rotina de uma criança desde pequenina facilita a obediência e disciplina. Quando minha filha começa a me questionar porque é que eu estou mandando isso e aquilo eu costumo repetir: “Porque não há nenhuma outra pessoa no mundo que queira mais sua felicidade do que eu. Eu estando aqui ou não, quero que você faça o melhor para você. Se não escovar os dentes, vai ter cárie. Se chegar atrasada na escola, fica sem brincar no recreio. Tudo tem consequência”. 

Isso tem feito ela obedecer e se calar, pelo menos até agora. Tenho usado pouco o argumento até, para não cair no comum. Quero mesmo é que ela entenda, devagar e em seu ritmo, a profundidade disso. Porque o significado disso é muito importante.

Tem um rock de uma banda que eu gosto, o Capital Inicial, a “Quatro Vezes Você”, que levanta uma questão importante: “O que você faz quando ninguém te vê fazendo ou o que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?”. Eu asseguro que não sou santa, mas não há nada que eu faça escondido que eu não teria coragem de contar à minha mãe.

Sempre acreditei que é de criança que se torce o pepino. Ou seja: desde muito cedo você deve ensinar os valores que você segue, que você admira e, principalmente, SER um espelho desses valores. Porque criança é esponja, criança imita. 

Dia desses uma amiguinha da Cacau veio de surpresa em nossa casa e a mãe dela elogiou a organização de seu quarto, que desde o ano passado ela faz sem minha ajuda. Ela ainda não limpa, claro, mas arruma comigo desde um aninho, quando andava fofamente trôpega até sua estante e caixas de brinquedos para arrumar. Catarina ficou toda orgulhosa e fiz questão de frisar que quem arruma é ela mesma, e é.

Parece uma coisinha simples, arrumar seu quarto sozinha, mas não é. Quero que minha filha arrume seu quarto e sua vida de maneira ordeira, disciplinada e, principalmente, de forma prazerosa durante toda sua vida, mesmo quando eu não estiver por perto. Quero que ela tenha prazer em fazer o bem, a coisa certa, em nunca prejudicar ninguém nem de forma explícita e, muito menos, às escondidas.

O nome disso é ter ética. É como diz a propaganda: ético ou você é ou não é, não existe meio termo. Eu sou, eu herdei de meus pais. Não sou santa mesmo, repito, mas me desculpem, eu não compro filme pirata e não faço outras coisinhas que me envergonhariam frente à minha mãe ou minha filha. Com que cara eu cobraria ética de minha filha se os filminhos e DVDs que ela assistisse em casa fossem piratas?

Por Liege Albuquerque