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Ayrton Senna: Há 20 anos morria o homem e nascia a lenda

Há 20 anos o tricampeão brasileiro se despediu da vida depois de um acidente na Itália . Se Ayrton Senna da Silva se estivesse vivo, ele faria 54 anos de idade. O piloto nasceu no dia 21 de março de 1960


A cena que ficou eternizada: no peito e na raça, no histórico Grande Prêmio do Brasil

A cena que ficou eternizada: no peito e na raça, no histórico Grande Prêmio do Brasil (Reprodução)

E se Pelé tivesse sofrido uma contusão que lhe abreviasse a carreira no início da sua 11ª temporada como jogador, em 1966? Teria recebido todo o reconhecimento que merecia mesmo tendo vencido duas Copas do Mundo, uma delas praticamente sem jogar, e com pouco mais da metade dos quase 1.300 gols que marcou? E se Muhammad Ali tivesse aceito a convocação para lutar na Guerra do Vietnã, e voltado de lá mutilado ou morto, como milhões de outros jovens americanos, o mundo teria reconhecido sua importância para o esporte, com apenas um dos três títulos mundiais dos pesos-pesados que conquistou?


Ao contrário de outros grandes gênios do esporte, Ayrton Senna teve a trajetória interrompida na plenitude da carreira, na batida fatal na Curva Tamburello, em Ímola, no GP de San Marino, há 20 anos. No dia 1º de maio de 1994, a tragédia privou o mundo de saber até onde o piloto poderia ter ido. Mas as dez temporadas na F-1 - três títulos, 41 vitórias, 65 poles e corridas inesquecíveis - lhe garantiram um lugar no olimpo do esporte. Senna e o austríaco Roland Ratzenberger, que morrera no treino do dia 30 de abril, foram as duas últimas vítimas fatais na F-1. Hoje, há em Ímola um memorial que os homenageia.

Eternizado

Para o chefe da McLaren, Ron Dennis, a morte eternizou Senna. “Ele foi tão bom no período em que esteve neste planeta. Muitos ficam tempo demais no esporte, e mancham sua grandeza. Foi tão inacreditavelmente competitivo e, de repente, já não estava mais aqui. Poderia ter feito outras coisas, mas teve fim abrupto, e o que lembramos é da sua grandeza”, disse Dennis, certo de que o acidente foi causado por problema na estrutura do carro.

Ao festejar 50 anos, em 2013, a McLaren publicou no site que o brasileiro foi o maior de sua história, com os títulos em 1988, 1990 e 1991, tendo pilotado pela escuderia de 1988 a 1993.


Ligado à McLaren, pela qual ganhou, em 1974, seu segundo mundial (o primeiro pela Lotus, em 1972), o ex-piloto brasileiro Emerson Fittipaldi é outro a ter ótimas lembranças do tricampeão: “Senna é ídolo global, não só do Brasil. Como Fittipaldi observou, Senna influenciou garotos como Lewis Hamilton, campeão mundial de 2008, ainda pela McLaren. Em 1994, com 9 anos, ao saber da tragédia, chorou.

O inglês da Mercedes é reconhecido pela agressividade e pelo capacete amarelo, que lembram o ídolo. “Eu tinha todos os livros, todos os vídeos... Ele me inspirou a ser piloto”, comentou Hamilton. “Ele é uma incrível lenda. Ainda se pode aprender como planejava a corrida e como pilotava, e pensar que um dia pode ser reconhecido como alguém capaz de pilotar de forma semelhante”.


Ontem, o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, disse que se Senna não tivesse morrido, teria encerrado sua carreira naquela equipe. Também da escuderia italiana, Fernando Alonso, bicampeão em 2005 e 2006, é fã do brasileiro: “Era o piloto que eu mais gostava, meu ídolo, e será para sempre o melhor do mundo”.

Jornalistas

Profissionais da Rede Globo, Galvão Bueno e Reginaldo Leme seguem a F-1 há 40 anos. Leme, que estava em Ímola em 1994, lembra que, após o GP, ele e o operador de áudio, Cláudio Amaral, continuaram na cabine, fazendo flashes sobre a saúde do piloto, enquanto o repórter Roberto Cabrini foi para o hospital, em Bolonha. “Eram 21h lá quando fomos para o hotel. Nisso, Pedro Bial e o cinegrafista Sérgio Gils chegaram de Londres. De Bolonha, eu e Bial entramos no Fantástico, até 4h lá”, relembrou Leme.


Dono da voz que narrou as vitórias de Senna, Galvão Bueno foi um grande amigo do piloto. “Era incrível, fantástico! Um profissional intenso, detalhista. Eu me sentia genuinamente emocionado com aquelas vitórias, que alegravam os domingos brasileiros. Foram 41 vitórias, 41 vezes chamando o Tema da Vitória. 'Ayrton, Ayrton, Ayrton Senna do Brasil'. Sempre tive a certeza de que ele era um grande ídolo”, disse Galvão. “É o melhor de todos. Os outros, por idade: Niki Lauda, Nelson Piquet, Alain Prost e Michael Schumacher. Senna era admirado no futebol, como recorda Raí, campeão mundial de 1994. A 20 de abril de 1994, no 0 a 0 entre o Brasil e Paris Saint-Germain/Bordeaux, Senna deu o pontapé inicial. “Apesar da rivalidade com o Prost, estava tranquilo e parecia saber que era idolatrado pela torcida francesa, como até hoje. É um mito do esporte”. Já Maurício Murad, professor de Sociologia do Esporte da Universidade Salgado de Oliveira, a Universo, explica o amor a Senna: “A sociedade cria ídolos da música, cinema e esporte. Senna é mais que um piloto vitorioso. É ícone, herói coletivo e ídolo. A sociedade projeta em alguém os exemplos positivos”.