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Pátria minha: sangue Azzurra!

Frei Fulgêncio Monacelli, o italiano mais amazonense daqui, garante que não vai ficar em cima do muro na hora da Copa do Mundo 


Frei adora futebol e vôlei e tem na seleção de 1982 o seu time favorito

Frei adora futebol e vôlei e tem na seleção de 1982 o seu time favorito (Winnetou Almeida)

Ele era uma figura fácil de encontrar nas cadeiras do antigo estádio Vivaldo Lima e nunca escondeu ser um “sacerdote” do esporte. Aos 76 anos, o carismático frei Fulgêncio Monacelli, 76, que nasceu na província de Perúrgia, na Itália, veio para o Amazonas em 1964, para trabalhar como missionário nos municípios de Benjamin Constant e São Paulo de Olivença. De lá chegou a Manaus em 1972 para trabalhar na paróquia da Igreja de São Sebastião onde está até hoje.

Este senhor boa praça de barbas longas e sempre bem humorado, acorda diariamente às 5h, senta no mesmo banco do Largo São Sebastião e tem no vôlei a sua paixão. “Ajudei a montar o time de vôlei feminino 13 vezes seguidas. Mas as coisas ficaram caras, e a quadra que usávamos acabou sendo alugada para uma universidade. Mas fizemos grandes jogos”, lembrou.

A 46 dias da Copa do Mundo em Manaus, os torcedores italianos começam a movimentação para ajustar sua agenda e acompanhar “in loco” a squadra azzurra, quanto ela estiver em solo baré. O frei não foge à regra. Ele, inclusive, tenta articular uma missa especial para a seleção Italiana. “Queria muito conseguir realizar uma missa para o Cesare Prandelli (técnico da Itália) e para a equipe. Vou tentar”, afirmou Monacelli.

Em setembro, o frei que já é residente em território manauense há 42 anos, completará 50 anos de missão no Estado. Com uma vida voltada para o desporto e para a religião, contou ainda como começou a ter uma vida esportiva.

“Tudo começou quando saí de casa. Não conhecia bola. Naquela época era apenas escola, ovelha e roça. Quando fui para o seminário em 1948, com 10 anos de idade e depois de ter concluído a terceira série, comecei a ter realmente contato com o esporte e nunca mais parei”, relembrou com saudosismo.

Apesar da paixão pelo esporte, duas modalidades mexem com frei Fulgêncio: o vôlei e o futebol, que ele só praticou quando chegou ao Estado. “No interior brincava um pouco de futebol (era goleiro) e no vôlei, jogava de atacante, devido à altura . Mas depois que vim para a capital, não consegui mais jogar nada”, explica.

Entre os craques do futebol brasileiro, o sacerdote se diz fã de Zico, que teve sua vida marcada justamente por aquele fatídico jogo contra a Itália na Copa do Mundo de 1982.

A Copa favorita do frei

E quando o assunto é: a Copa favorita do frei, ele não demora a responder. É a de 1982, realizada na Espanha, onde a Azzurra acabou com um incômodo jejum de títulos que já durava 44 anos.

E o caneco foi conquistado depois que a Itália eliminou a brilhante Seleção Brasileira, que tinha o próprio Zico, de quem o frei é fã, além de outros mitos como Sócrates, Júnior, Leandro e Falcão.

“Eu estava na Itália e encontrei um grupo de torcedores jovens e nós assistimos (a partida) pela televisão. Fiz uma a poesia alegre na época a respeito da conquista. Até a simpatia de torcedores que não conheciam nossa seleção eu conquistei”, afirma.

Naquele jogo, o atacante Paolo Rossi marcou três gols e eliminou uma das seleções mais brilhantes da história das Copas. Aliás, o frei é fã até hoje do “Bambino de Ouro”.

Memória

“Ele (Paolo Rossi) foi sem dúvida uma surpresa para mim, assim como para muitos italianos. Não era conhecido na época, (antes de defender a Juventus) ele jogava no Perúgia, uma equipe patrocinada por uma fabrica de chocolates. Mas sem dúvida, foi uma grata surpresa. Era como o Zico. Era novo, franzino, mas muito habilidoso”, disse.