Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

A batalha dos egos inflados e feridos na Copa do Mundo

Os técnicos Louis Van Gaal e Luiz Felipe Scolari possuem carreiras marcadas por conquistas importantes, retumbantes fracassos, briga com jornalistas e disputa de poder com jogadores, seja em clubes ou em seleções nacionais. Confira nesta matéria do CRAQUE histórias destes dois senhores que disputarão o terceiro lugar na Copa do Mundo de 2014

Somados, Scolari e Van Gaal já venceram o Brasileirão, a Libertadores, a Copa do Mundo, La Liga, o campeonato holandês, a Bundesliga, o título Intercontinental e a Copa da UEFA

Somados, Scolari e Van Gaal já venceram o Brasileirão, a Libertadores, a Copa do Mundo, La Liga, o campeonato holandês, a Bundesliga, o título Intercontinental e a Copa da UEFA (Reprodução)

A partida entre Brasil e Holanda terá um tempero especial para apimentar a insossa decisão de terceiro lugar da Copa do Mundo no próximo sábado (12) em Brasília. O segundo encontro entre dois dos técnicos ‘estrelas’ de gênio mais forte do futebol mundial: Luiz Felipe Scolari e Louis Van Gaal.

Nesta Copa, eles já se estranharam, ainda que não de maneira explícita. Na fase de grupos, Van Gaal afirmou que o Brasil iria querer evitar o confronto com a Holanda nas oitavas, pois a Laranja Mecânica estava ‘marcando grandes gols e jogando um futebol agressivo’. Em resposta e sem citar nomes, Scolari respondeu em coletiva que quem achava que no Brasil evitava alguém ‘ou era burro ou mal intencionado’.

Afeitos a uma boa polêmica, estes dois personagens estão sempre prontos para soltar frases de efeito, cutucar o adversário, lembrar a todos o quanto são bons no fazem, questionar árbitros, ofender dirigentes e agredir verbalmente profissionais da imprensa. O CRAQUE relembrou casos famosos e infames protagonizados pelo brasileiro e pelo holandês.

Do vestiário ao público

Foram nos anos de Palmeiras que suas polêmicas começaram a se tornar lendárias. Na véspera do segundo jogo da semifinal entre o Palestra e Corinthians pela Libertadores da América de 2000, Felipão foi – intencionalmente - ouvido pela imprensa no vestiário gritando com o elenco alviverde. “Tristeza por ter perdido, por ter cometido erros, mas vocês tem que ter na cabeça isso tudo que eu estou falando para vocês. Raiva da p... do Corinthians”.

Van Gaal também sabe que é o vestiário do clube, solo sagrado dos boleiros, onde as conversas francas são feitas. Ao assumir o Bayern de Munique em 2007, o técnico holandês deixou claro aos jogadores que tinha ‘culhão’ para barrar as estrelas da equipe. E fez isso de uma maneira peculiar.

Luca Toni, que jogou apenas quatro vezes como titular tendo Van Gaal como técnico - mesmo tendo marcado 24 gols em 31 jogos na temporada anterior da Bundesliga -, disse ao jornal alemão Bild como a história aconteceu. “Ele queria deixar bem claro que poderia barrar qualquer jogador, Robben, Lahm ou Schweinsteiger. Não fazia diferença para ele. Disse que faria isso, pois tinha culhão para isso. Foi então que ele baixou as calças e mostrou suas partes para nós. Foi uma loucura total. Nunca havia vivenciado nada parecido com aquilo na minha carreira”, disse o italiano.

A imprensa como inimiga

As coletivas do holandês em sua época de técnico do Barcelona eram verdadeiros eventos de entretenimento. A imprensa catalã é conhecida mundialmente por sua histeria em relação aos resultados da equipe número um da cidade. E não seria Louis Van Gaal que colocaria panos quentes nesta delicada relação.

Ao ser questionado por um repórter sobre uma quebra de pacto entre o técnico e Rivaldo – na época, o melhor jogador do mundo -, Van Gaal foi para o ataque em vez de explicar o porquê da estrela brasileira estar no banco. “Você é muito ruim! Suas interpretações são sempre negativas, nunca positivas! Falando sobre quebra de pacto no vestiário! Eu conversei com Rivaldo! Você é muito ruim!”, disse o holandês aos berros.

Após classificar a seleção portuguesa para a Eurocopa de 2008 como a segunda do grupo, Felipão foi alegre à sala de imprensa para se deparar com uma legião de jornalistas lhe perguntando sobre a dificuldade do empate em 0 a 0 com a Finlândia em casa. Foi demais para o ego de Felipão.

“Gente, vamos fazer o seguinte: se vocês acham que está tudo errado eu peço desculpas mas não preciso ficar aqui”, disse Scolari ameaçando abandonar a coletiva pela primeira vez.

“Pelo amor de deus! O que a Finlândia fez para ganhar?! Vocês em vez de massacrar o treinador de Portugal têm que massacrar o treinador do outro lado. Eu faço por Portugal aquilo que não fiz nem pelo Brasil, e quando chego aqui recebo todo o tipo de situação que me desagrada. O burro sou eu? O ruim sou eu? O errado sou eu? O péssimo treinador sou eu? Pelo amor de deus. Ou vocês estão mal acostumados, ou alguma coisa está acontecendo”, disse antes de abandonar a coletiva de vez para o espanto dos presentes.

Humildade?

Humildade é uma palavra que não está no dicionário de nenhum dos dois treinadores. Mostrar arrogância quando se está no melhor de sua forma é uma coisa. Deixá-la aparente em um momento pós-derrota torna tudo ainda mais divertido. Scolari não deixou barato a crítica recebida pelo futuro vice-presidente da CBF, o catarinense Delfim Peixoto, que afirmou que o gaúcho jamais comandaria a Seleção novamente.

"O único título de Santa Catarina no Brasil quem deu foi eu. Ele tem que ajoelhar e pedir benção a mim. Só ganharam com o Criciúma e eu era o técnico", disse Felipão.

Foi também em um momento delicado, mais apropriado para a reflexão, que Van Gaal disse uma frase edificante após não conseguir classificar a Laranja para a Copa de 2002 no Japão e Coréia. Ao perder para a inexpressiva Irlanda do Norte, ele entrou na sala de imprensa, e diante de jornalistas de seu país cravou: “Após esta derrota, Louis Van Gaal não tem mais nada para aprender no futebol”, cravou com convicção.