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Obras de estádios da Copa já mataram seis pessoas; Arena responde por metade das mortes

Sintracomec disse que segurança dos operários é negligenciada nos canteiros de obras para acelerar o ritmo de trabalho e cumprir os prazos de entrega dos estádios

Acidente ocorreu na área entre a Arena e o Sambódromo, quando a vítima foi atingida na cabeça durante desmonte de guindaste

Acidente ocorreu na área entre a Arena e o Sambódromo, quando a vítima foi atingida na cabeça durante desmonte de guindaste (Divulgação/Patrulha da Cidade)

Com a morte do português Antônio José Pita Martins na tarde desta sexta-feira (7), em Manaus, subiu para três o número de operários mortos no canteiro de obras da Arena da Amazônia. É o maior número de acidentes fatais ocorridos durante a construção dos 12 estádios para a Copa do Mundo do Brasil. Outras duas mortes ocorreram no Itaquerão, em São Paulo, e uma no estádio Mané Garrincha, em Brasília, ainda em 2012, totalizando seis mortes no total.

A Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP) por meio de sua assessoria informou que não iria se manifestar sobre este assunto e que está concentrada em prestar assistência à família da última vítima. A UGP também informou que qualquer possível atraso na entrega da obra, anunciada pelo governador Omar Aziz para o dia 14 de fevereiro deste ano, só será informada na semana que vem.

A assessoria da empresa Andrade Gutierrez S/A, construtora responsável pela obra da Arena da Amazônia,  respondeu que o acidente com o guindaste não ocorreu na área de obras da Arena, e sim, do sambódromo.  em tempo hábil até o fim da edição da matéria.

“O guindaste já estava desmobilizado da obra desde o dia 11/01/2014 e estava posicionado nas dependências do sambódromo, área cedida para abrigo e desmonte desta máquina”, informou em nota.

Mortes poderiam ser evitadas

De acordo com Cícero Custódio, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Estado do Amazonas (Sintracomec), as mortes poderiam ter sido evitadas se os responsáveis pela obra tivessem maior cuidado com a segurança dos trabalhadores ao invés de cumprir os prazos estabelecidos por ela mesma.

Para ele, as tragédias na Arena da Amazônia, Mané Garrincha e Itaquerão tem em comum a pressa de se cumprir prazos de entrega das obras, deixando fundamentos básicos de segurança em segundo plano.

“A obra já iniciou atrasada, e eles querem compensar o tempo perdido acelerando o ritmo no canteiro de obras sem tomar os devidos cuidados com a segurança dos trabalhadores. Quase não há mais acidentes fatais em obras de construção civil em Manaus porque o sindicato faz um trabalho junto com o Ministério Público do Trabalho de conscientização aos trabalhadores referente aos perigos no canteiro de obras, e também porque existe uma pressa desumana para que fique tudo pronto além do ritmo normal de uma obra de grande porte. Foram somente cinco registros de acidentes fatais na construção civil em 2013, três deles na Arena”, diz Custódio, ao contabilizar a morte do operário José Antônio da Silva Nascimento, vítima de um ataque cardíaco no Centro de Convenções, ao lado da Arena, no mesmo dia da morte de Marcleudo de Melo Ferreira, em 14 de dezembro de 2013.

Para Cícero, o poder econômico é mais forte. “O problema é que é uma empresa multinacional, que não aceita conversar com o sindicato e faz pressão psicológica com os trabalhadores para que eles façam tudo o mais rápido possível. O coordenador da UGP – Miguel Capobiango, também é negligente ao se focar somente na Copa e em cumprir prazos impossíveis ao invés de olhar com mais cuidado para os trabalhadores”, continuou.

Custódio afirmou que os trabalhadores irão cruzar os braços na próxima segunda-feira (10) no canteiro de obras da Arena da Amazônia ‘em respeito aos operários mortos até esta data’, segundo o próprio.

Mortes na Arena

O operário Raimundo Nonato Lima da Costa, 49, foi a primeira vítima na Arena. Ele morreu na noite de 28 de março de 2013 de traumatismo craniano, ao cair de uma altura de aproximadamente 5 metros de altura. No momento do acidente de trabalho, o homem se deslocava entre colunas de sustentação da obra.

Nove meses depois, na madrugada de 14 de dezembro, Marcleudo de Melo Ferreira caiu de uma altura de 35 metros enquanto trabalhava na área dos arcos metálicos da Arena. Ele sofreu múltiplos traumas no corpo e teve morte instantânea ao atingir o solo, de acordo com o laudo do Instituto Médico Legal (IML).

O Ministério Público do Trabalho (MPT) chegou a suspender os trabalhos em altura na obra após a morte de Marcleudo até que uma perícia técnica no local fosse realizada a fim de analisar as condições de segurança nos trabalhos em altura no canteiro de obras.

A última morte na Arena até o momento foi a do luso Antônio José Pita Martins, atingido na cabeça por um objeto metálico enquanto realizava trabalho de desmonte do principal guindaste da obra do qual ele era o operador. Martins era funcionário terceirizado da empresa Martifer e também faleceu de traumatismo craniano.

Tragédia no Itaquerão e Mané Garrincha

O ajudante ajudante de carpinteiro José Afonso de Oliveira Rodrigues, 21 anos, caiu de uma laje na tarde de 11 de junho de 2012 enquanto trabalhava na obra do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha, hoje já finalizado. O trabalhador não resistiu à queda de uma altura de 50 metros e foi a primeira ‘vítima fatal das obras da Copa’.

No dia 27 de novembro de 2013, um guindaste cedeu e caiu sobre parte da cobertura metálica do estádio do Corinthians, o Itaquerão, matando Fábio Luiz Pereira, 42, motorista e operador de guindaste do tipo munck da empresa BHM, e Ronaldo Oliveira dos Santos, 44 anos, montador da empresa Conecta, ambas terceirizadas da construtora Odebretch.