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Gilberto Silva fala em entrevista sobre Copa, Arena e carreira

“Uma Arena caríssima não significa que vá resgatar o futebol de uma cidade. É preciso um plano de reestruturação do futebol local, envolvendo clubes, federações, governo", opinou em entrevista exclusiva ao CRAQUE o pentacampeão mundial pela seleção brasileira, Gilberto Silva

Gilberto Silva teve carreira vitoriosa em todos os clubes em que passou, em especial, no Arsenal, da Inglaterra

Gilberto Silva teve carreira vitoriosa em todos os clubes em que passou, em especial, no Arsenal, da Inglaterra (Reprodução/Wesley Rodrigues)

Gilberto Silva, 37, é daquele tipo de volante puro-sangue e aguerrido que qualquer treinador cuidadoso com o sistema defensivo gostaria de ter no seu time. Protagonista da Seleção Brasileira de 2002 na conquista do pentacampeonato, Gilberto segurava a onda no combate aos meias adversários e na proteção dos zagueiros de Felipão, enquanto Rivaldo e Ronaldo Fenômeno faziam a festa de gols que garantiram o quinto título ao Brasil no Mundial Japão/Coreia do Sul. Foi o auge de Gilberto.

O tempo passou e com ele veio a idade e o processo de renovação do futebol brasileiro, o que é natural para quem vive da bola. De protagonista por onde passou, Gilberto agora é coadjuvante no futebol brasileiro na última temporada, mais em razão da lesão grave da qual foi vítima. A eficiência técnica e a vontade são as mesmas, mas ainda não suficientes para lhe garantir espaço entre os 11 do Galo: o contrato do defensor acabou em dezembro e ele ainda não foi procurado para a renovação. Mas ele não quer saber de parar e, tendo terminado o contrato, está fazendo trabalho de condicionamento físico em seu antigo clube, o Arsenal da Inglaterra.

“Ainda me sinto bem. Não penso em parar por enquanto. Eu me cuido bem”, afirmou Gilberto, em entrevista exclusiva ao CRAQUE, no fim do ano passado, por celular na qual falou também sobre Copa do Mundo e futuro da carreira. A seguir, trechos da conversa:

Qual sua relação com o Atlético? Você já pensa em se aposentar?

Foi o clube que me projetou. E então seria natural voltar e ajudar o clube nesse Brasileirão. Não penso ainda em parar. Até porque me sinto bem jogando futebol. Sempre me cuidei muito. Estou tranquilo.

Mas já não seria época de pensar em parar?

Não faço planos sobre isso. Deixo as coisas acontecerem. Ainda me sinto bem jogando. Mas é claro que sei que já estou num processo final de carreira. É triste, é doloroso para um atleta de futebol, pois você tem que parar ainda muito jovem para a vida. Tenho me preparado para o fim de carreira de forma tranquila. É dolorido. Mas chega o momento que você tem de parar.

Qual a sua expectativa para a Copa do Mundo no Brasil?

Existe expectativa positiva e negativa em alguns pontos. Para o futebol é superimportante ter no Brasil o maior evento mundial de futebol, comparado a uma Olimpíada. A Seleção Brasileira sofre uma transição importante no momento. Tem essas questões. Nós brasileiros temos que fazer nossa parte, que é apoiar. Mas há preocupação econômica quanto ao custo altíssimo dessa Copa para o País. Estamos torcendo para que a Copa no Brasil seja um sucesso. Até em função do alto preço. Já estamos pagando. Há um custo social e financeiro grande.

O que você achou da experiência da Copa das Confederações? Valeu como teste para o Mundial propriamente dito?

Do pouco que eu vi, muita coisa precisa melhorar. O evento em si foi um teste para ver como a nossa organização está. Mas foi um pequeno teste. A Copa do Mundo é um evento que todo mundo espera, pois vêm as seleções, os turistas, as cobranças. Sinceramente, não sei até que ponto nós estamos preparados sobre essa questão de hotelaria, atendimento, acesso, enfim, itens que devem funcionar bem nas cidades-sede. Em relação à Seleção em sI, acho que a equipe em conjunto com a comissão técnica fizeram um grande trabalho. Mas o titulo na Copa das Confederações não é garantia de que seremos campeões em casa. A pressão será bem maior. Perder esse título, siginifica começar tudo do zero novamente. Vejo uma Seleção jovem, com vontade. A ideia é fortalecer e definir o grupo.

Houve uma onda de protestos motivada pelo alto gasto com os estádios paralelamente à realização da Copa das Confederações. O que achou disso?

Essa onda foi reflexo de que o povo cansou de ficar vendo coisa errada e ficar calado. Chegou ao limite. Sou a favor dos protestos pacíficos, Isso é valido. O que foi ruim é que muita gente se infiltrou no movimento para fazer baderna. Essa gente se valeu disso para prejudicar o sentido do protestos. Isso eu não concordo. Mas o que o povo está querendo é uma melhor postura e maior transparência com gastos e investimentos públicos. O Brasil parece um país sem lei, ninguém é punido pelos erros que comete. O gasto com a Copa foi o estopim para toda essa onda de indignação. Encerro dizendo o seguinte: para muita coisa o País não tinha dinheiro, mas para fazer a Copa apareceu apareceu dinheiro. E, convenhamos, vai custar uma fortuna. O povo quer boa educação, saúde de qualidade, segurança digna, infra-estrutura.

Manaus será uma das cidades-sede da Copa e aqui tem a Arena da Amazônia, que custará em torno de R$ 650 milhões e está 94% concluída. Mas o nosso futebol profissional não passa da Série D. Qual sua avaliação sobre essa realidade?

Uma Arena caríssima não significa que vá resgatar o futebol de uma cidade. Ao contrário: pode ser uma obra que não tenha utilidade depois da Copa. É preciso um plano de reestruturação do futebol local, envolvendo clubes, federações, governo, para fazer crescer o futebol de Manaus. Uma mentalidade profissional mesmo. É um erro aqui no Brasil nós concentrarmos o futebol no eixo Sul-Sudeste, Centro-Oeste. Tenho certeza que aí em Manaus há pessoas competentes para gerir o futebol e excelentes jogadores. Mas tudo fica muito escondido do grande eixo. Acho que o futebol do Amazonas tem que aparecer para o grande mercado, e vejo isso somente chegando à Primeira Divisão. Agora, isso é um pro-cesso.

Você se lembra de ter jogado em Manaus ou por clubes ou pela Seleção. Conhece algum clube daqui?

Acho que já estive jogando em Manaus, agora não sei se pela Seleção ou por algum clube. Não lembro. (Gilberto jogou no Vivaldão em 10/09/2003, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006). Conheço daí o Nacional, que é o time de maior tradição, Não é isso? Infelizmente os clubes e os jogadores são pouco conhecidos para nós. Isso é péssimo para o futebol de Manaus. Deve haver uma grande reformulação no futebol profissional daí.

Qual a sua avaliação sobre os convocados de Felipão.

Creio que a Seleção Brasileira está chegando num momento de definição. Até a Copa, pode haver uma surpresa ou outra, mas o Felipão está tentando acertar uma base para a equipe. A cada dia isso parece estar mais de-finido.

Você estaria pronto, caso fosse lembrado numa convocação de última hora?

Estou sempre pronto para representar a Seleção. Porém, hoje, no meu caso, seria mais difícil. A minha possibilidade ali dentro do grupo é mais remota É um grupo novo. É importante que haja essa renovação. Outros devem assumir essa condição de representantes da Seleção. Agora, se o Felipão precisar realmente de mim, estou aí à disposição (risos). O grupo não esta 100% fechado.

A Seleção de Felipão está bem servida em termos de volentes na sua opinião?

São bons jogadores. Tem o Paulinho, o Lucas, o Luiz Gustavo, o Ramires. Mas todos têm características diferentes da minha, pois jogam mais avançados, dando passes. Eu fazia a proteção dos zagueiros e tinha uma postura mais defensiva, de desarme das jogadas. O Luiz Gustavo, por exemplo, quando jogou com uma postura mais parecida com a minha, se deu muito bem e a equipe teve uma eficiência tática muito boa no sistema defensivo. Mas, no geral, estamos bem servidos de volantes.